Se você, leitor, tivesse pé com forma 44 e calçasse um sapato 39, não conseguiria andar e as bolhas e feridas seriam o resultado dessa insanidade. É mais ou menos isso que acontece no Hospital da Mulher, em Feira de Santana. Uma demanda absurda, acima da capacidade de atendimento.
Uma crise que tem origem. Somente este ano, cerca de 20 por cento dos partos realizados na unidade foram de pacientes vindas de outros municípios.
Entre janeiro e março de 2019, por exemplo, foram 3.684 nascimentos registrados na unidade. Desse total, nada menos que 623 partos foram em mulheres vindas de outros municípios. Quase 20 por cento.
Os municípios que mais enviam mulheres para dar à luz no HM são: Santo Estêvão, Coração de Maria e São Gonçalo. De janeiro de 2013 até março passado, já foram realizados mais de 55 mil partos no Hospital da Mulher. Números impressionantes.
De acordo com informações da direção da Fundação, em 2013 foram registrados no Hospital da Mulher, 7.805 partos; em 2014, 7.590; no ano de 2015 registrados 8.436 nascimentos; em 2016 foram 9.976; em 2017 foram 9.784 bebês; 2018 veio com 9.871 registros; e até o mês de março de 2019 já são 3.684 partos.
Embora tenha estrutura modelo, com grande capacidade de atendimento, o Hospital da Mulher não consegue absorver toda a demanda de Feira de Santana e outros municípios.
Essa explosão de demanda no HM acontece porque, invariavelmente, não há estrutura nos municípios vizinhos para atender suas próprias pacientes. A saída, então, é enviar (regulada ou não) para o hospital feirense. Jacobina é um exemplo. Mesmo não fazendo parte da macrorregião de Feira, envia pacientes para cá. Uma distância de 5 horas de viagem.
Essa soma de fatores tem resultado triste: pacientes acomodadas nos corredores e fila de espera para os partos. Uma conta que não fecha.
Portanto, esta situação preocupante no Hospital Municipal da Mulher poderia ser evitada se não houvesse a tal pactuação. Crise agravada pelo fechamento de unidades de parto em outros hospitais em Feira. Passou da hora de o governo do estado assumir sua conta nessa crise.