Ele marcou época como vereador em Feira de Santana. Polêmico, de posições firmes e no estilo sem papas na língua, Manoel Messias Gonzaga conquistou cinco mandatos seguidos na Câmara de Vereadores de Feira. Foi eleito em 1981 pelo PMDB - o PCdoB era clandestino. Em 1985, quando foi legalizado o partido comunista, assumiu a legenda e fui reeleito sempre pelo PCdoB. Natural de Serra Talhada, Pernambuco, chegou à cidade definitivamente em 1965. O atual coordenador regional do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), no governo Rui Costa, diz que não pretende mais disputar cargo eletivo. Critica o mercantilismo nas eleições e avalia que Feira atravessa um momento político de forças divididas. Messias também revela para quem vai pedir votos em 2020, em entrevista exclusiva ao Protagonista.  
O Protagonista - O sr. pretende voltar a disputar cargos eletivos?

Messias Gonzaga - Não vou mais disputar eleições, concorrendo a cargos eletivos. É uma decisão amadurecida há algum tempo.

O Protagonista – Por quê?

Messias Gonzaga – Hoje o momento político é outro, o eleitorado é outro. Conquistamos cinco mandatos tendo o voto de opinião, dentro dos movimentos sociais e populares. Esse voto diminuiu bastante. Hoje, eleger um vereador em Feira é mais difícil que naquele tempo em que iniciei (década de 1980). Antes, não gastava quase nada, apenas com propaganda. Tinha o voto de confiança. Hoje isso não basta. No geral quem chega às Câmaras – vereadores, deputados e até senadores – é quem tem máquinas nas mãos, como sindicatos, segmentos religiosos (evangélicos), ou muitos recursos financeiros, etc. Assim o eleito fica limitado, porque representa apenas uma categoria específica. Não a população como um todo. Em que pese a lembrança de muita gente para que eu volte, não há mais as mesmas condições, hoje, para isso ocorrer. Vejam o exemplo do país. Vejam quem o povo elegeu como presidente. Uma figura que era inexpressiva. Não fez nada até então.

O Protagonista - Boa parte dos atuais vereadores é alvo de críticas, pela falta de preparo para exercer a função, que o sr. conhece tão bem. Qual sua avaliação sobre o atual quadro legislativo feirense?

Messias Gonzaga - A qualidade política da Câmara cai legislatura após legislatura. No geral, mesmo com algumas composições fracas, antes, na minha época, havia um centro de vereadores que dava qualidade. Eram cinco ou seis vereadores que davam sustentação e levavam respeito à Casa. Essa turma atual não sabe nada. São eleitos com a saúde, segurança e sindicato poderoso nas mãos. O povo reclama com razão. Mas é o povo mesmo o culpado, pois elege os vereadores.
Ainda continua a política de pagar remédio, passagem, contas, prestação de carro, etc em troca de voto. Esse eleitorado se acomoda com isso e não exige de quem é eleito. Não se exige uma política voltada para a melhoria da cidade. Vale o toma lá dá cá. Compram cabos eleitorais que compram os votos. Aí são eleitas pessoas sem qualificação. Uma geleia geral. Muito interesse pessoal em jogo e se locupletam com cargos pessoais. Tenho fé que a roda da história traga mudanças positivas.
Tivemos período fértil no Brasil com Lula e Dilma. Hoje mudou para pior, com Bolsonaro e sua tropa. No estado, por exemplo, temos um governo desde 2006 arejado com políticas coletivas. Tenho esperança que alcançarei dias melhores na nossa querida e estimada Câmara de Vereadores de Feira.

O Protagonista - Qual avaliação faz do momento político em Feira?

Messias Gonzaga – Temos forças políticas divididas. Vemos o enfraquecimento da força dominante, do ex-prefeito José Ronaldo. Está desgastado. A cidade não aguenta mais esse tipo de política. Viadutos não transformam a cidade. Tenho convicção que novas forças políticas assumirão essa cidade. Temos aí uma administração cansada que iniciou uma obra como o BRT e que parou. Ficaram esses monstrengos na cidade. Muita incompetência. Há uma perspectiva real e concreta que novas forças se apresentem e que tragam mudanças para Feira de Santana.

O Protagonista - Já decidiu quem vai apoiar em 2020 a prefeito de Feira?

Messias Gonzaga - Sou compromissado. Acredito em projeto e meu grupo tem isso. Diante desse conceito, tenho um político feirense que ama Feira de Santana e tem bons propósitos, tem coragem e condições e conhecimento para executar uma política nova para acompanhar o ritmo do governo do estado. Tem um grande histórico. Acho que chegou a vez de Zé Neto. Vou apoiá-lo. Ele está apto a promover o que espero para essa cidade, que é humanizar e desenvolver Feira de Santana.