O Protagonista ouviu três ex-vereadores que marcaram época na Câmara Municipal de Feira de Santana pelo estilo combativo, "osso duro". Todos de atuação destacada na Casa, na oposição. Marialvo Barreto, Messias Gonzaga e Ângelo Almeida explicam como funcionava a distribuição de vale-refeição em suas épocas no legislativo feirense. Vereadores da Casa são alvo de denúncia de desvio e uso irregular de vale-refeição, que deveria ser destinado a assessores. De acordo com denúncias, até como remuneração a cabos eleitorais desempregados de vereadores os vales têm sido usados.

Messias Gonzaga (vereador de 1982 a 2004) - Um escândalo a ser bem apurado. Por que esse privilégio de vereador administrar cartão de crédito para alimentação? Uma imoralidade. No meu tempo não existia esses benefícios, nem eu deixaria que isso passasse. O povo paga privilégios para os legisladores, por quê? Sou contra qualquer benefício para vereadores. Basta o salário. No meu tempo vereador não tinha cota para combustível, nem telefone pago pelo contribuinte, nem outro tipo de privilégio. A não ser o 14º e 15º salários, que me recusava a receber.

Marialvo Barreto (vereador entre 2005 e 2012) - Ouvia boatos, sim, dessa prática. Mas de poucos (as). No meu gabinete, como dos demais vereadores, uma parte dos assessores tinha o vale. Ficavam com os vales os que mais precisavam. Eles mesmos recebiam o cartäo e usavam.

Ângelo Almeida (vereador entre 2009 e 2012) - O mandato contava com cinco assessores e um estagiário.  O gabinete tinha direito a cinco cartões-alimentação. Determinei que cada um dos cinco assessores fosse retirar os seus cartões no setor administrativo. Não aceitei receber os cartões para entregar aos assessores por considerar direito deles abrir um envelope lacrado que não era pertencente ao vereador. Ou seja: os cartões eram para os assessores e foram direto para as mãos deles.