Início de setembro. Esse é o prazo para o professor e historiador Jhonatas Monteiro (PSOL) anunciar se será candidato a prefeito ou vereador nas eleições municipais de 2020. Em entrevista exclusiva ao Protagonista, ele revela como nasceu a candidatura a prefeito em 2012 até a surpreendente votação que o levou à terceira colocação, ficando à frente do então prefeito Tarcízio Pimenta – a eleição foi vencida por José Ronaldo.

O Protagonista - Você vai ser candidato a prefeito ou vereador em 2020 em Feira de Santana?

Jhonatas Monteiro – Até então, no PSOL e junto às pessoas que nos apoiam, o que temos feito é amadurecer aquele que é o melhor caminho. O PSOL tirou uma série de indicações no Congresso. Entre essas indicações passa a candidatura própria à prefeitura e, ao mesmo tempo, uma disputa mais ampla no Legislativo. Então, com base nisso, estamos avaliando qual é o melhor cenário para o Município, já que temos um conjunto de problemas que se manifestam não apenas relacionados ao governo municipal, à prefeitura como se diz popularmente, como, também, passam pela Câmara. Questões centrais do Município que ou não são discutidas, ou são discutidas de um modo muito ruim do ponto de vista da qualidade do trabalho legislativo. Aí são dois focos de preocupação. Então a candidatura vai responder a esses dois cenários.

O Protagonista – Existe um prazo para essa definição?

Jhonatas Monteiro - Costumo dizer que não sou candidato de mim mesmo.  Se fosse por isso não me disporia. Dedicaria meu tempo para outras atividades da militância e da minha vida profissional como professor e historiador. Me dispus a ser candidato, enquanto militante, para representar um projeto coletivo. Tem Plenária Eleitoral em 31 de agosto. No meio do caminho devo fazer um encontro com apoiadores e apoiadoras para dialogar. No início de setembro faço o comunicado público do posicionamento em torno de minha candidatura, mas isso estará associado a outras movimentações eleitorais do PSOL, para que no processo eleitoral de 2020 a gente apresente um conjunto de candidaturas.

O Protagonista – Sua trajetória na política tem curva ascendente. Ao que você credita esse crescimento eleição após eleição?

Jhonatas Monteiro - Para chegar à candidatura em 2012, o processo de enraizamento começou em 2008. Naquela oportunidade nos reunimos e amadurecemos a decisão de não apresentar candidatura. Reunimos um número considerável de pessoas de movimentos sociais, de vários setores e lugares que tinham interesse em debater um projeto de médio e longo prazo para o Município. Na época fomos questionados por pessoas da imprensa sobre o motivo de não disputarmos já em 2008. Então quando decidimos disputar a prefeitura, bem como uma vaga na Câmara com a companheira Sidinea Pedreira, em 2012, nós tivemos um conjunto de discussões, o que chamamos de “roda de conversa”. Foram 17 encontros abertos abordando vários temas como segurança, planejamento urbano, população negra, juventude e política para as mulheres. Dialogar com pessoas que sentem na pele a exploração, a opressão e a negação de direitos. Isso alicerçou nosso discurso em debates e nosso programa. Houve um processo coletivo de construção das propostas. De todas as candidaturas em 2012, tivemos a que menos recursos dispunha. Foi uma campanha mantida com pouquíssimos recursos. Pessoas que acreditavam no projeto e doavam. Isso tudo gerou mais de 27.300 votos. Sem compra de votos ou negociação de direitos, como é infelizmente muito comum na política brasileira.

O Protagonista – E como foi a experiência da candidatura a deputado em 2014?

Jhonatas Monteiro – Esse processo anterior serviu de base para a candidatura a deputado estadual em 2014. A ideia era dialogar com outros setores inspirados na nossa prática política aqui em Feira e, desse modo, apresentar uma estadualização do nosso projeto. Foi muito bem acolhida e resultou na candidatura mais bem votada do PSOL no estado naquela oportunidade, com cerca de 24 mil votos.

O Protagonista – Em 2016, você voltou a disputar a prefeitura...

Jhonatas Monteiro - Em 2016, numa discussão a partir da avaliação de desgaste do governo de José Ronaldo, da forma de administrar o Município que ele vinha apresentando, e dos conflitos com vários segmentos sociais, se avaliou como importante apresentar nosso nome pela segunda vez para a disputa da prefeitura. Houve uma consolidação do PSOL como um partido que apresenta propostas viáveis, baseadas nas necessidades sociais, no interesse público e na transformação popular. Isso resultou em mais de 27.500 votos. Mais recentemente, em 2018, houve a candidatura a deputado estadual. Em relação a 2014 houve um crescimento considerável. Foram mais de 26 mil votos. O que contribuiu para que o PSOL conquistasse, pela primeira vez, um mandato estadual na Bahia. Sou, atualmente, como primeiro suplente do mandato hoje representado pelo combativo companheiro Hilton Coelho.

O Protagonista – Como define a forma que vocês fazem política no PSOL?

Jhonatas Monteiro - Nossa trajetória é marcada, felizmente, por uma coerência no modo de fazer política. Nas campanhas, importante não foi só o resultado numérico. Também as práticas que usamos, com campanhas colaborativas. Não usamos formas desgastadas, como visitar bairros em carreata, que são meios que a política tradicional tem para fugir do diálogo com o povo. Não usamos cabos eleitorais pagos ou lideranças compradas para oferecer apoio político nas comunidades. Fazemos atividades a pé, casa a casa. De algum modo, as pessoas percebem essa diferença. Ao mesmo tempo, a questão não se resume a campanha eleitoral. Quem acompanha nossas redes ou as mobilizações sociais, percebe que as atividades do PSOL, independente de ser ano eleitoral ou não. Promovemos panfletagens, debates, apoiamos causas ou participamos de manifestações todo o tempo. Mas precisamos avançar, enraizando ainda mais a nossa militância nas periferias e comunidades rurais. É nesse sentido que a discussão de 2020 precisa ser feita. Afinal, disputamos não apenas o voto, mas uma tomada de consciência e mudança de atitude das pessoas para transformar a sociedade de forma mais profunda.