O advogado Gabriel Cavalcante, candidato a presidente municipal do PT em Feira de Santana, tem posições bem diferentes do governador Rui Costa quando o assunto é aliança partidária. Defende, por exemplo, rompimento imediato com Otto Alencar e João Leão, caciques da política baiana que pongaram no trem petista e, pelo menos por enquanto, não pensam em descer. Ao Protagonista, Gabriel Cavalcante enviou o seguinte artigo:

"A respeito do que pensamos sobre a política partidária, enxergamos um grande desafio da esquerda em geral e do Partido dos Trabalhadores. Em especial temos um enorme desafio que é o da estratégia de alianças.
Nacionalmente o PMDB e todo o restante dos partidos de direita que compunham o governo Dilma romperam com o PT e realizaram o golpe de estado.  No caso da Bahia, assim como nos outros estados do Nordeste, temos uma situação peculiar que é a de que a política de alianças que sustentou os governos nacionais do PT ainda pode ser aplicada. Para nós é uma ilusão acreditar que uma política conciliatória com setores da direita possa ter sucesso no Brasil que surge com o golpe de estado e, pior ainda, no Brasil de Bolsonaro.
No caso, o PT e toda a esquerda brasileira só estarão à altura dos desafios da conjuntura política atual se conseguirem formular uma governabilidade de novo tipo, uma governabilidade que se sustente sobre os movimentos sociais e sobre mobilizações de rua.
Dessa maneira, entendemos, perspectivamente, que figuras como Otto Alencar, João Leão e Angelo Coronel não cabem num governo de esquerda. O governador Rui e o Partido dos Trabalhadores precisam ter, então, uma tarefa em suas mãos: construir as condições para romper com essas figuras políticas e com seus respectivos partidos, no caso o PSD e o PP. Construir as condições para essa ruptura passa, inevitavelmente, por acumular mais espaço social e institucional para o partido e esse acúmulo social e institucional passa tanto pela organização das mobilizações contra os ataques do governo Bolsonaro, quanto pelo processo eleitoral de 2020.
No caso do processo eleitoral de 2020 acreditamos que o Petismo deve organizar o maior número possível de candidaturas próprias e, onde for possível, apoiar partidos aliados de esquerda como o PCdoB, o PSB, na Bahia, e o PDT, mas nunca ceder espaço para partidos de direita. É nesse sentido, então, que compreendemos que a candidatura petista de Zé Neto em Feira é um exemplo a ser seguido. O PT de Feira dá o exemplo para o restante da Bahia.
No próximo dia 08 de setembro ocorrerá a votação para a eleição da direção municipal do PT de Feira de Santana e para a eleição dos delegados estaduais para o congresso do PT-Bahia, que ocorrerá em outubro, e para o Congresso Nacional em novembro. Serão nesses espaços políticos que surgirá a nova política do PT. Montamos nossa Chapa Municipal "Novo Tempo Militante", cujo número para votação é o 620, justamente por acreditar na possibilidade de formulação dessa nova política para os novos tempos que nosso país enfrenta.

Gabriel Cavalcante é advogado