O advogado Gabriel Cavalcante surge como alternativa de mudança para comandar o PT feirense – a eleição acontece em setembro. Já anunciou a pré-candidatura. Vai ter pela frente velhos caciques petistas. Mas a luta faz parte de sua trajetória. “Militei muitos anos no movimento estudantil da UEFS. Também participei ativamente da Federação Nacional dos Estudantes de Direito. Ao final do curso de direito participei da construção do coletivo de extensão universitária Justiça Universitária Alternativa (o JUÁ) em que inicialmente prestamos assessoria jurídica para o Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB) e depois passamos a assessorar os conselhos locais de saúde. Foi a partir da aproximação com os conselhos que ajudei a fundar o Fórum Popular de Saúde. Após formado, me filiei ao PT em 2015. No partido, ingressei na tendência Articulação de Esquerda (AE) e passamos a construir essa organização em Feira. A AE em Feira de Santana participa ativamente das mobilizações que ocorrem na cidade e fomos responsáveis, junto com outros coletivos, pela organização do Festival Lula Livre na cidade”, destaca Gabriel. A seguir, entrevista completa. 

O Protagonista - Por que você quer ser presidente do PT feirense?
Gabriel Cavalcante - Não tenho razões individuais para ser presidente do PT de Feira. Aprendi desde que comecei a militar politicamente que toda construção política deve ser a representação de uma vontade coletiva. A partir dessa perspectiva a nossa candidatura representa um impulso coletivo no sentido contribuir para o fortalecimento do Partido dos Trabalhadores de Feira. Entendemos que Feira de Santana é uma cidade em que a esquerda tem muita dificuldade de se organizar e que existe um conservadorismo muito forte, essa dificuldade atinge os movimentos, os sindicatos e também os Partidos de Esquerda. Mas, nesse cenário, qual o papel que cumpre o PT? Achamos que o Partido precisa assumir o seu protagonismo enquanto maior Partido de oposição, passar a emitir mais opinião pública e estar mais inserido nas lutas cotidianas no município. Sabemos que é um desafio enorme e que para que isso ocorra, uma construção política partidária mais firme no sentido de representação dos interesses de quem mais precisa, não é só a vontade política dessa ou daquela liderança política que conta, mas sim uma conjugação de esforços entre todos os militantes e filiados do Partido. Por isso acreditamos que a nossa vontade é a de contribuição para a construção de um Partido mais forte, mas não uma vontade individual de ser presidente.

O Protagonista - Já tem apoios definidos?
Gabriel Cavalcante - Nossa Chapa é composta por Agentes Comunitários de Saúde, Professores e Estudantes Universitários. Os componentes da chapa participam ativamente da militância política em suas categorias. Do ponto de vista de figuras públicas somos apoiados pelo ex-vereador Beldes Ramos, que foi candidato a deputado estadual, também Cristina Porto, liderança do bairro do Aviário, que foi candidata a deputada federal, e por Simone Barbosa, que hoje ocupa um espaço central no Núcleo Regional de Educação.

O Protagonista - Você representa uma ala jovem do partido em Feira. Traz ideias novas também?
Gabriel Cavalcante - Nossa discussão aponta para o conjunto da militância Petistas uma necessidade de que o PT de Feira busque construir alianças firmes com a esquerda social e política. No último período, por exemplo, foram diversas as mobilizações que foram organizadas na cidade. Nesse sentido apontamos que a vaga de candidata a vice-prefeita seja ocupada por uma representação de esquerda. A partir disso encaramos com naturalidade que o PCdoB ocupe esse espaço, principalmente por ser um Partido que sempre foi aliado do PT nacionalmente e que foi responsável aqui em Feira por colocar muito da sua base social em diversas mobilizações que ocorreram no município, seja contra o golpe de estado ou seja contra as reformas perversas do governo Temer e do governo Bolsonaro. O nome mais apropriado do PCdoB hoje para ocupar a vaga de candidata a vice-prefeita, no nosso entendimento, seria a professora Marlede Oliveira, que é a direção sindical da APLB. A luta de Marlede, tanto em defesa da educação no município seja enquanto figura presente nas mobilizações, é a luta de todo aquele que verdadeiramente é de esquerda e ela construiu o seu merecimento nas lutas.
Além de defendermos alianças à esquerda compreendemos que alguns espaços organizativos devam ser rearticulados em Feira de Santana, como por exemplo a secretaria de Juventude do PT e as setoriais de Saúde e Educação. Também acreditamos que o PT precise organizar um congresso, para que a militância discuta um programa para uma intervenção mais organizada. Consideramos central também que o PT tenha um periódico mensal para expor sua visão política a respeito da conjuntura municipal.
Em grande medida acreditamos que um Partido forte só existe com muita democracia, escutando todos e todas e com muito debate interno também. Por isso achamos que a formação política deva ser uma prática continuada.

O Protagonista - O deputado Zé Neto foi lançado pelo partido como candidato a prefeito em 2020. O que você acha dessa candidatura? Prematura?
Gabriel Cavalcante - Achamos um acerto completo o lançamento da candidatura do companheiro Zé Neto com antecedência. Achamos inclusive que em outros municípios da Bahia deveriam seguir o exemplo. O PT foi atacado de diversas maneiras desde o golpe de Estado que retirou Dilma do governo e depois com a prisão política de Lula. O momento agora é de reatar os laços com a militância, falar com as pessoas, reagrupar e reorganizar a base do Partido. A campanha de Zé Neto a prefeito, por exemplo, será construída a partir de um processo de caravana em que o candidato visitará os bairros e os distritos de Feira de Santana. Esse será o momento de ouvir o povo e saber levar uma mensagem de esperança, principalmente depois dos ataques pesados do governo Bolsonaro contra todos os direitos dos mais pobres. Um Partido existe muito mais para além de um processo eleitoral, existe para que as pessoas possam se organizar para construir seus sonhos coletivos, o sonho de uma Feira de Santana melhor, achamos que o potencial de uma candidatura que se organiza com mais antecedência é muito maior para cumprir essa finalidade.