Do nada para lugar nenhum. Assim foi a reunião entre camelôs, vereadores, representantes do governo municipal e o Ministério Público, na manhã dessa quarta-feira (28) na sede do MP. Motivo: o assunto em pauta não era as taxas cobradas e os critérios do sorteio dos boxes do Centro Comercial Popular, o Shopping Popular, como era esperado. O tema foi outro: esgoto e mobilidade urbana.
O encontro começou tenso. Logo cedo, insatisfeitos com a ausência do prefeito, alguns camelôs se retiraram da sede do Ministério Público – o prefeito estava representado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Antônio Carlos Borges Júnior, e pelo procurador do Município, Cleudson Almeida. Os camelôs exigiam a presença de Colbert Filho.

Após a intervenção de vereadores, alguns poucos camelôs retornaram ao MP, com a promessa de que o prefeito estaria presente, após cumprir outros compromissos da agenda. Logo em seguida Colbert chegou ao Ministério Público.
Com o promotor regional de Meio Ambiente, Ernesto Cabral, sentaram o prefeito, secretários Borges Júnior e Paulo Aquino, o procurador Cleudson, mais os vereadores Marcos Lima e Edvaldo Lima, e alguns camelôs.
Após cerca de três horas de conversa, o prefeito Colbert esclareceu a situação durante uma mini coletiva. “Esta reunião com o MP estava marcada há 15 dias. Fomos notificados para responder ação do Ministério Público para retirada de quem impede o ir e vir das pessoas no centro da cidade. Essa ação começou em março. Com o promotor ambiental, falamos também sobre a drenagem no Centro de Abastecimento e ficou decidido que faremos o serviço. O promotor não assumiu qualquer tipo de posição sobre taxas ou o sorteio dos boxes, porque não iria interferir sobre o que estava definido aqui mesmo no MP”, informa Colbert.
Ainda segundo o prefeito, “as taxas dizem respeito às negociações entre a prefeitura e o Consórcio. A Promotoria não decide questões desse tipo. Todas as decisões acerca do Centro Comercial Popular foram acompanhadas pelo MP. Sobre o protesto dos camelôs, ninguém é obrigado a ir para o Shopping Popular. Mas o sorteio dos boxes continua normalmente e de forma democrática. No Feiraguai foi assim: houve relutância e queixas no início, mas teve sorteio e depois tudo deu certo”, compara, Colbert.
Perguntado se o governo municipal negociaria com a parcela de camelôs que está em protesto no centro da cidade, o prefeito afirmou que “o município está aberto ao diálogo. A decisão, mantida, é a de seguir com o sorteio e setorização dos boxes. Vai ser importante para garantir a mobilidade urbana”, destaca o prefeito.
Colbert Filho ressaltou que “há clareza absoluta dentro do contrato, tudo exposto. O valor de R$ 80 por metro quadrado por box foi definido em 2015, com acompanhamento do Ministério Público. Pode-se até ser discutido isso entre os camelôs e o Consórcio, mas mudar o contrato, dificilmente”, concluiu.
Enquanto isso, seguem os protestos de camelôs no centro da cidade. Trânsito atrapalhado. Pelo visto o impasse está longe de um final feliz.
(Fotos: assessoria do vereador Marcos Lima)