A Rede Bahia, afiliada da Globo em terras baianas, terá novo diretor-presidente. O executivo Paulo Cesena (foto) assume a partir do dia 2 de setembro. O anúncio foi confirmado internamente no informativo interno da Rede.
O executivo tem uma vida pregressa polêmica: foi um dos 77 delatores da Odebrecht na Operação Lava-Jato e cumpriu um ano de prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica após um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR).
A Rede Bahia reconhece que Cesena teve problemas no passado, mas que pagou pelo que fez. “Paulo Cesena colaborou com a Justiça e encontra-se sem impedimento para exercer suas atividades profissionais”, afirma a empresa.
Cesena tem 20 anos de carreira e trabalhou em grandes empresas dos mais variados ramos, como a Odebrecht Transport. Em 2017, fechou um acordo de delação premiada e deu depoimentos sobre sua participação no pagamento de propinas feitas pela Odebrecht para políticos.
Em um dos depoimentos, Cesena informou que a Odebrecht pagou R$ 14 milhões a Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro do Governo Michel Temer, para a criação de seu partido, o PSD (Partido Social Democrata. Os pagamentos ocorreram entre 2013 e 2014.
Depois de encarar a prisão, o novo gestor terá uma missão também difícil. Afiliada da Globo na Bahia, Rede Bahia vive crise de audiência. Vários programas fecham em segundo ou até em terceiro lugar de Ibope na Grande Salvador.
A crise se acentuou em 2017, mas se agravou entre 2018 e 2019. No horário local, o Bahia Meio Dia, telejornal exibido na hora do almoço, fechou em segundo lugar em todo o primeiro semestre de 2019.
O programa perde para o Balanço Geral BA, da Record TV Itapoan. Entretanto, a situação do Globo Esporte BA é ainda pior. O programa esportivo não vence a Record TV desde janeiro de 2018. 

Já em em Feira de Santana, na TV Subaé, a situação não é muito diferente. Várias demissões foram feitas esse ano. O Jorna da Manhã foi cortado da programação. Ainda no interior, emissoras foram transformadas em meros escritórios. 
Certamente com a “experiência” em delação, prisão e Lava Jato do novo executivo-presidente, a expectativa dos proprietários é que a emissora baiana viva melhores momentos.