Assim como a oposição, o segmento evangélico em Feira de Santana nunca orou na mesma Bíblia quando o assunto é eleição municipal. Farinha pouca, meu pirão primeiro sempre foi o lema. Os evangélicos nunca tiveram um candidato a prefeito “puro sangue” em Feira de Santana. História que pode mudar em 2020.
O deputado estadual José de Arimateia quer ser o primeiro. Em contato exclusivo com o Protagonista, ele confirma o desejo de unir os evangélicos em torno de uma candidatura própria a prefeito em 2020. “Esse é um processo que vem de muitos anos. A Marcha para Jesus é um exemplo. Temos que mostrar a força que os evangélicos têm. Outras religiões e segmentos já tiveram sua oportunidade. Por que não agora um prefeito evangélico? Mas é preciso união e consenso para isso. Passa por todo um processo”, destaca o deputado.
Arimateia reconhece que existem empecilhos, mas nada que não possa ser contornado. “Grupos mais fortes da igreja evangélica têm compromissos com cargos em governos, etc. Mas é preciso entender que mesmo perdendo espaço dentro dos governos, é necessário tentar. Moisés retirou o povo de Deus do Egito, que estava ligado ao faraó. Igualmente precisamos nos libertar. Reuniões sempre acontecem, mas na hora de definir recuam por causa desses compromissos”, enfatiza.
Ainda sobre a participação evangélica em governos municipais em Feira de Santana, José de Arimateia faz uma revelação: “dos prefeitos que passaram, o que mais deu espaço para os evangélicos foi Tarcizio Pimenta. Os outros foram apenas superficiais”, revela.
Mesmo defendendo a candidatura evangélica “puro sangue”, o deputado José de Arimateia salienta que o cargo é laico e, portanto, tem que chegar ao poder com a mentalidade de governador para todos. “Feira quer algo novo. Alguém que pense diferente”, destacou.
O partido de Arimateia pretende lançar candidatura própria para prefeito e o nome natural seria, inevitavelmente, o dele. Ao Protagonista o parlamentar revela, ainda, que pretende intensificar os contatos com os demais segmentos evangélicos. Os principais alvos seriam a Igreja Quadrangular, a Presbiteriana, a Batista, a Assembleia de Deus. Na Igreja Universal não haveria dificuldade, pois o deputado é bispo da IURD.
Consequências - Uma candidatura legitimamente evangélica provocaria inevitáveis reflexos, principalmente na direita. Estima-se que em Feira de Santana cerca de 30% do eleitorado seja evangélico, algo em torno de 90 a 100 mil votos – fiéis, diga-se de passagem.
Natural de Alexandria, no Rio Grande do Norte, Arimateia é jornalista por formação, bispo da Igreja Universal e está no seu quarto mandato de deputado estadual, além de ter sido vereador por dois mandatos em Feira de Santana.
Seu maior colégio eleitoral continua sendo Salvador, mesmo morando em Feira de Santana há mais de vinte anos. É ligado politicamente ao deputado federal Márcio Marinho, vice-presidente nacional do PRB – hoje Republicano.
Seu primeiro mandato de deputado estadual foi pelo MDB, e teve como base política a região sul da Bahia. Sempre foi ligado ao prefeito ex-prefeito José Ronaldo desde que chegou a Feira de Santana.