O jornalista e radialista Girlânio Guirra, editor da Revista Alternativa, é o convidado do Protagonista dessa segunda-feira (26) para “escanear” o cenário político local. Para ele, existem verdadeiras ciladas do WhatsApp para o cenário político. Cita os pré-candidatos, no momento, com mais chances.
“A política de Feira de Santana passa por um momento como aquele seriado ‘Carga Pesada’. Quando tinha qualquer treta, o Pedro gritava: “É cilada, Bino”. Então você tem que ter o máximo de cuidado nesse momento, tem gente aí entrevistando prefeito e deputado para grupo de WhatsApp, a meu ver isso é muito perigoso para a política de Feira de Santana, porque tanto o prefeito quanto os deputados que são pré-candidatos não podem dizer ‘não’ e caem em cilada, que, dependendo do local de circulação, um texto mal interpretado pode causar um estrago grande.
Quem cria os grupos no WhatsApp coloca três ou quatro pessoas a mando de alguém, que não se sabe as reais intenções. Geralmente são grupos com 40 ou 50 pessoas, no mínimo. Com essa quantidade de gente, sabendo da velocidade que as informações atingem pela rede, pode atrapalhar ou ajudar uma trajetória política.
A política da nossa cidade começou no dia que o líder político maior de Feira de Santana, o ex-prefeito José Ronaldo, soltou na mídia que Colbert Martins Filho era candidato natural. Sabemos que não foi à toa que, ao sair para disputar as eleições de 2018 para governador, quem iria assumir a cadeira para gerir o município seria Colbert. Por isso, em uma entrevista, um bate papo com jornalistas, ele diz que Colbert é candidato natural. Só um bobo não entendeu quem ele iria apoiar.
Nesse atual momento tem alguns nomes surgindo: os deputados Targino Machado, Pastor Tom, Zé Neto, Dayane Pimentel, e claro o professor Jhonatas do PSol. Todos são pré-candidatos que a gente já sabe que podem vir, e a gente sabe que Colbert Martins Filho é candidato natural dentre todos esses ou outros nomes que podem vir a surgir. Estes são os que já manifestaram a pretensão, o desejo, mas vou aqui dar uma cutucada: eu digo, com certeza e sem medo de errar, que tem um vereador da Câmara que pode sair candidato a prefeito de Feira de Santana. Se a eleição fosse em outubro desse ano ele estaria fazendo parte dessa disputa para o cargo de prefeito.
Paralelo a tudo isso, a corrida pela manutenção ou acesso a vaga na Câmara dos Vereadores começou mais cedo para a eleição de 2020. Vereadores começaram a buscar o que antes eles tinham deixado para atrás. “Estavam preguiçosos”. Estavam adormecidos, mas quando houve uma notícia sobre o secretário Pablo Roberto formando seu grupo político pelo PDT dada em primeira mão no Protagonista, e quando o blog também divulgou que a gente estava sendo pretendido por partidos grandes, eles acordaram e começaram a movimentar a política. Vejo isso como algo positivo e bom para mim, politicamente, porque tudo na política até você não exercer um mandato, é aprendizado. Eu aprendo com todo mundo não só com os políticos, com quem encontro na rua, com os colegas, aprendo até com quem não quer me ver lá.
Chegou o momento de os vereadores saberem o que vão falar na tribuna, porque se falarem besteira vão acabar perdendo muito mais do que já perderam por não fazerem nada. Se continuarem nessa linha, acreditando nas ciladas do WhatsApp, vão perder muito mais.
Aproveito também para fazer um alerta:  as notícias do dia a dia estão se perdendo diante dessas avalanches de notícias via rede social. Por que falo isso? Teve coisa maior para a mídia feirense do que o lançamento do Centro de Educação Complementar onde era o Feira Tênis Clube? No entanto foi uma nota que passou batida por todos da imprensa. Agora eu pergunto:  qual é o nosso papel enquanto jornalistas, enquanto formadores de opinião? Não é fazer circular notícias para informar à sociedade do seus avanços e crescimentos? Sendo assim, devemos, também, falar mais na política macro, na política nacional. Feira, nesse momento, está vivendo uma política muito micro, que é a política local. Isso é uma cilada, no meu entendimento, porque o candidato que não tomar cuidado nessa atual conjuntura vai acabar se quebrando”.