O ex-vereador Messias Gonzaga passa a escrever semanalmente no blog O Protagonista. Atual coordenador regional do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), Messias passa ao texto a peculiar acidez e o senso crítico apurado, características de sua passagem marcante pela Câmara de Vereadores de Feira de Santana. Na primeira coluna, destaca e critica as barbaridades disparadas pelo presidente Jair Bolsonaro. A seguir, o artigo completo.


Ouso me apropriar deste sarcástico poema do imortal baiano Gregório de Matos para expressar sarcasticamente não sobre a Bahia, tratada originalmente no poema, mas sobre o nosso país, vilipendiado, desmoralizado, agachado servilmente e chacoteado por um presidente que não se dá ao respeito que o cargo requer. Não satisfeito em tecer elogios e admiração a um dos mais tenebrosos torturadores do país, o Coronel Brilhante Ustra, de indicar um dos seus filhos para ser Embaixador nos Estados Unidos, por ter fritado hambúrguer quando passou por lá algum tempo,  incentiva e cultiva a violência,  esconde e protege um foragido miliciano, o Queiroz, de chamar os governadores nordestinos pejorativamente de “Paraíbas” e que para esses os recursos públicos não seriam destinados, de insinuar em plena entrevista coletiva de que dois de seus ministros iriam “trocar” e gargalhar sobre essa pérola, resolveu apontar uma solução para diminuir o impacto ambiental: “o povo deve fazer cocô dia sim, dia não”. Esse besteirol afrontou e envergonhou a todos os mortais daqui, e correu o mundo deixando as pessoas de bom senso boquiabertas sobre tamanho destempero e despreparo do mandatário do Brasil, que numa demonstração de menosprezo pelas questões ambientais, imbecilmente apresenta a canhestra solução, logo se transformando numa chacota mundial.
E continuando a sua postura ignorante e irresponsável, disse que o Brasil “não precisa de ajuda da Alemanha”, e dispensa 155 milhões anuais de um fundo para proteção da Amazônia, que aquele país liberava para financiamentos de projetos e proteção da maior floresta do planeta.
Até quando o país vai aguentar a batuta de uma figura dessas como o dirigente principal? Até setores da poderosa e odiosa elite dominante, responsável pela eleição desse energúmeno, se sente incomodada e arrependida da aventura que patrocinaram. Ao povo, o principal prejudicado pelo desgoverno e retrocessos de conquistas sociais que melhoraram a vida de milhares de brasileiros, resta a luta renhida para pôr um fim ao círculo iniciado, antes que seja tarde demais.

*Messias Gonzaga é ex-vereador em Feira de Santana e atualmente é coordenador regional do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema)