A manifestação de camelôs, nessa segunda-feira (26) no centro da cidade, mudou a rotina na Câmara Municipal. O presidente da Casa, vereador José Carneiro (PSDB), mostrando sensibilidade e espírito democrático, suspendeu o horário do pequeno expediente para que um representante dos camelôs falasse. Representantes da categoria lotaram a galeria da Câmara Municipal em manifestação contra o sorteio dos boxes do Centro Comercial Popular.
“Aqui é a Casa da Cidadania, do cidadão, que tem todo direito de se manifestar livremente, falar, expressar sua opinião. Vou suspender a sessão por cinco minutos e conceder a palavra a um representante escolhido por vocês”, disse José Carneiro.
O camelô Gerdyson Cerqueira de Jesus pediu transparência nos contratos que serão firmados entre os vendedores e o consórcio responsável pela gestão do shopping, pois eles ainda não sabem, exatamente, o valor que será cobrado. “Não vimos contrato, regimento, ponto dos camelôs. Este projeto surgiu para beneficiar os camelôs, mas estamos sendo os mais prejudicados. Querem cobrar altas taxas, que não temos como pagar.  Vamos lutar pelos nossos direitos, nossa sobrevivência”, reclamou.
O integrante da comissão de ambulantes também reclamou do adiamento da audiência pública que discutiria assuntos relacionados à construção e entrega do Centro Comercial Popular e, inicialmente, estava marcada para o dia 30 de agosto.
Ao final do pronunciamento, o vereador José Carneiro definiu que o líder da bancada governista, vereador Marcos Lima (Patriota) e seu colega Luiz Ferreira (PPL), acompanhados de mais cinco ambulantes fossem tratar do assunto com o prefeito Colbert Martins

Marcos Lima - O líder da bancada governista na Câmara, vereador legitimou a manifestação dos vendedores ambulantes e convidou cinco representantes para uma reunião com o prefeito Colbert Martins, que será realizada nessa terça-feira (27) às 11 horas. Em meio aos protestos dos camelôs, Marcos Lima justificou que a reunião foi marcada para terça-feira devido aos demais compromissos agendados anteriormente por Colbert Martins.

Roberto Tourinho - O vereador Roberto Tourinho (PV) dedicou o seu tempo para argumentar de forma favorável as pautas defendidas pelos manifestantes. O vereador exteriorizou a sua preocupação quanto ao sorteio, realizado a partir desta segunda com o objetivo de definir a localização dos boxes, denunciando a falta de transparência e incentivando os camelôs a irem de encontro com a proposta “não aceitem e não participem de sorteio, não façam nada enquanto não ficar claro. Como é que vocês vão entrar num empreendimento no qual vocês não sabem absolutamente nada?”, questionou.

Zé Filé - O vereador José Menezes (PROS), o Zé Filé, também se posicionou favorável à manifestação dos vendedores ambulantes contra o sorteio dos boxes do Centro Comercial Popular e as taxas que serão cobradas. O parlamentar salientou a importância de “acompanhar os trabalhos legislativos para saber quem realmente fica do lado do povo”. Ele frisou que reconhece e apoia a luta da categoria. “O prefeito deu carta branca para eles cobrarem. E, deste jeito, a maioria não vai conseguir pagar a taxa. Vão colocar vocês para fora”, alertou.

Edvado Lima – O vereador Edvaldo Lima (PP) usou a tribuna para externar apoio aos vendedores ambulantes. O parlamentar ressaltou ter sido contra a construção do empreendimento e defendido a proposta do Shopping Popular a céu aberto, na Sales Barbosa. “Sempre fui contra a construção deste shopping, mas hoje já está pronto e não posso ser contra. Mas sou contra a postura irresponsável deste empresário que não respeita os camelôs”, afirmou.
 “Farei o possível para que ocorra a audiência pública sobre o Shopping Popular que foi adiada. Que ocorra com a presença do empresário Elias Tergilene. Precisamos ficar de olho neste empresário. Aquilo foi caro, pago com dinheiro público e com terreno doado pelo município”, defendeu.
(Foto: site Acorda Cidade)