O jornalista e blogueiro Rafael Velame é o terceiro convidado do Protagonista para falar sobre o cenário político atual de Feira de Santana e as perspectivas até as eleições de 2020. Rafael, do Blog do Velame e da rádio Globo, traça um pequeno perfil de cada um dos atuais postulantes a prefeito de Feira em 2020. Mas salienta que as nuvens políticas ainda podem mudar muito até outubro do ano que vem. Abaixo, texto completo.

Se a eleição fosse hoje, o deputado federal Zé Neto (PT) largaria na frente. Isso é óbvio. Eleito com boa votação e do partido que elegeu o governador com maior margem da história, ele tem tudo para se sentir favorito a sentar na cadeira de prefeito em 2020. Porém, entretanto, todavia, “política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”, já dizia o ex-governador mineiro Magalhães Pinto.
Daqui até lá, é bem provável que essa nuvem já tenha mudado muito.  O temperamento do petista é visto com bons olhos quando o assunto é legislar, mas a rejeição é grande quando o foco é um cargo majoritário. Os números das últimas eleições na cidade mostram que o petista tem um “teto de votos” muito difícil de ultrapassar, dada a sua alta rejeição.  No mesmo campo político de Neto existem outros nomes. O mais novo é o do ex-deputado Carlos Geilson, atualmente em busca de partido, mas que anunciou apoio ao governo Rui Costa (PT) logo após não conseguir se reeleger. Geilson, apesar de bem votado, se sentiu traído pelo grupo político liderado pelo ex-prefeito José Ronaldo (DEM) e pulou do barco. Há quem garanta que ele é a “carta na manga” do governador para vencer a eleição em Feira de Santana.  O maior obstáculo dele será convencer Zé Neto disso. Encontrar um partido da base que o aceite com essa pretensão também será um desafio.
No grupo do ex-prefeito José Ronaldo (DEM), que não pode concorrer pela quinta vez à prefeitura por ter renunciado ao cargo, a disputa segue aberta. Na vantagem, principalmente após Geilson deixar o grupo, o atual prefeito Colbert Filho (MDB) deve ser candidato à reeleição e já conseguiu apoios importantes, como o de Fernando Torres (PSD). Ronaldo já fez questão de dizer que ainda é cedo para declarar o candidato dele, mas o fluxo natural é que seja o emedebista. Porém, como já disse antes “política é feito nuvem...” e o democrata Targino Machado também está na briga como o deputado estadual mais votado da cidade, apesar de ser de São Gonçalo dos Campos. Machado ensaia há tempos uma candidatura a prefeito de Feira e desta vez se mostra disposto a tudo para conseguir o objetivo.  O empresário Zé Chico é outra opção que pode pintar como alternativa do Democratas.
O ex-deputado federal e candidato ao Senado derrotado, Irmão Lázaro, andou dizendo em entrevistas que também poderá se candidatar a prefeito em 2020. Todavia, é considerado um “analfabeto político” e não deve se viabilizar. Deve seguir a carreira de cantor gospel. O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, pode entrar na disputa em Feira. A professora Dayane Pimentel, quarta deputada federal mais votada do estado, pode ser lançada candidata, pois existe determinação que em cidades com mais de 100 mil habitantes o PSL deve lançar candidato. Existe também a possibilidade do PSL se aliar a José Ronaldo e indicar um vice, ou encabeçar uma chapa articulada por ele.  Partido Novo tenta achar um candidato, até agora sem sucesso. Mas pode ser a surpresa da eleição assim como um dia foi Jonathas Monteiro, o Rasta do PSOL. 
Entretanto, uma facada pode mudar todo cenário que acabei de descrever, como já vimos acontecer recentemente. Sobre número alto de candidatos, tem gente falando em 8 ou até 10, mas acredito que seja mais oba oba de interessado em barganhar, do que compromisso com a cidade.
Enfim, espero que com os avanços da tecnologia, a cidade tenha como próximo prefeito um político antenado como as novidades em áreas como transporte, urbanismo, consumo e cultura e entenda que mudanças de pensamento e comportamento da população apontam para um processo irreversível que vem transformando as cidades em todo mundo e que em Feira de Santana não pode ser diferente. 
Vai ser difícil, mas as opções logo estarão na mesa e os feirenses poderão escolher. Espero que acertem.