Existem verdades que não devem ser ditas? A hipocrisia reza que sim. Algumas vezes uma mentira “singela” acaricia mais que uma verdade espinhosa. O presidente da Câmara Municipal de Feira de Santana, José Carneiro, essa semana, concedeu uma entrevista em rádio com trecho polêmico. Disse, textualmente, que vereadores fazem parte da “política do toma lá, dá cá”. Disse em um contexto que inclui deputados e senadores. Foi execrado pela coragem da sinceridade. Mas será que ele está errado? Mentiu? Claro que não. O clientelismo é uma prática, infelizmente, alimentada por muitos maus eleitores. E olha que não é apenas durante período eleitoral. Também não se resume apenas a essa relação candidato-eleitor. Muito usada também para estreitar os laços entre Legislativo e Executivo, liberando as famosas emendas parlamentares. Quem conhece o dia a dia de escritórios e gabinetes políticos sabe bem que a maioria desse pessoal não busca informação sobre contas públicas, por exemplo. Longe disso. Benesses pessoais encabeçam as listas de pedidos. Uma relação já “institucionalizada”. Uma consulta médica, um saco de cimento, um exame, um emprego, pagamento de contas de água e luz, etc. Pede-se de tudo. Quem dá, claro, espera a contrapartida: o voto. E, como disse o vereador José Carneiro, os “pidões” estão em todas as esferas do Legislativo. E quem dá, também, está. Resumo da ópera: prática usual, mas ilegal e digna de crítica. Difícil é convencer quem pede.