Além da posição geográfica privilegiada em que está Feira de Santana, num entroncamento rodoviário considerado como dos maiores do Nordeste, com acesso das BRS mais importantes do país, 116, 324 e 101, outro fator contribuiu para o seu crescimento demográfico e desenvolvimento econômico: a sua Feira livre, que disputava o título de maior feira livre do Nordeste com a cidade pernambucana de Caruaru. Desde a madrugada dos domingos que o centro da cidade recebia os preparativos para a grande feira livre da segunda-feira. As avenidas Senhor dos Passos, Getúlio Vargas, ruas Marechal Deodoro, Conselheiro Franco, Monsenhor Tertuliano Carneiro, Rua da Aurora, Sales Barbosa e várias outras adjacências, eram ocupadas totalmente. Mas, era na Praça da Bandeira a sua maior concentração, com o charmoso Mercado Municipal, hoje o nosso MAP, que a feira se desenvolvia, onde “se encontrava de tudo”, como disse Luiz Gonzaga sobre a Feira de Caruaru.
Na esquina da Rua Marechal Deodoro com a Praça da Bandeira, existia a casa comercial “As Pernambucanas” onde os ourives armavam suas bancas para vender joias. Para a feira livre vinha gente de todas as partes da Bahia, tanto para vender bugigangas, como para comprar. Nesse tempo o campo do gado era na Rua Aloísio Resende, esquina com a Rua Geminiano Costa, de onde vários animais fugiam e saiam em debandada por entre a feira livre, com os vaqueiros e populares nos seus encalços, e uma grande algazarra acompanhava a captura. Felizmente poucos acidentes eram registrados. Mas, veio o desenvolvimento e ele fez a decretação do fim da maior feira livre do Nordeste. O ano era 1976 e lá se foi a nossa feira livre, motivo de tanto orgulho, transferida para o Centro de Abastecimento onde ficou confinada. Enquanto uns aplaudiam a medida, outros criticavam. Mas prevaleceu o argumento de que a cidade já não mais comportava ser interrompida no seu centro para abrigar a feira livre. Nesse tempo não tão distante a ainda pequenina Feira de Santana se orgulhava dos belos casarios da Avenida Senhor dos Passos, destaque para as casas de Chico Pinto e João Marinho Falcão e o Hotel Solar Santana, os abrigos Nordestino e no cruzamento desta com a Praça da Bandeira, dentre outras moradias famosas.  Todas desaparecidas, mesmo destino dos casarios da Rua Conselheiro Franco, onde sobrevive aos trancos e barrancos os prédios do Monte Pio, 25 de Março e da Rua Tertuliano Carneiro onde está o prédio da Euterpe Feirense que também foi um luxuoso Hotel. Desafiando o tempo e a ganância empresarial, continuam de pé os abrigos do Predileto, da Praça do Marajó, e os coretos das Praças da Matriz, ainda conservado, Agostinho Fróes da Mota, bastante combalido, e o da Praça Bernardino Bahia, em péssimo estado de conservação. Pouco resta do glorioso passado da cidade de Feira de Santana, como o prédio onde fica o Paço Municipal, o CUCA, o casarão do Coronel Agostinho Fróes da Mota, prédio da Casa de Saúde Santana, e alguns outros sobreviventes. A poetisa feirense autora da bela letra do hino a Feira de Santana, Georgina Erismann, quando se inspirou para escrever o poema, atestou tratar-se de “uma terra formosa e bendita, descuidosa de sua beleza”. Foi um presságio que a vida mostrou ser verdadeiro, e se viva estivesse derramaria lágrimas pela ignorância e irresponsabilidade dos habitantes e do poder público que não cuidaram da preservação das belezas e da história de Feira de Santana. (Foto: blog Por Simas)

Texto: Messias Gonzaga, bioquímico e ex-vereador