Comerciantes e frequentadores do Mercado de Arte Popular se acostumaram a ver, todos os dias, crianças oferecendo doces e pedindo dinheiro. Os mais sensíveis e generosos abrem a carteira. Não sabem que o dinheiro não vai para os menores. Tudo não passa de uma ação orquestrada por adultos, que exploram as crianças.
O Protagonista fotografou situações no MAP que comprovam a exploração dessas crianças. Pelo menos dez menores com idades entre 3 e 11 anos estavam sendo explorados.
Um comerciante, que obviamente pediu para não ser identificado, explicou como funciona a exploração: quatro adultos (três mulheres e um homem) levam as crianças ao MAP. Se reúnem no palco. Ali são distribuídos os doces para serem vendidos, sob a supervisão dos adultos. O argumento é sempre o mesmo: comprar para ajudar em casa com o dinheiro. Uma cartela de chiclete custa R$ 2 reais.
Mas o dinheiro não fica com os menores. Pelo menos duas vezes pela manhã e mais duas vezes à tarde os adultos as reúnem para recolher o dinheiro arrecadado.
O Protagonista conversou com uma das crianças. D.E.S. tem 9 anos. Bastante sujo, com cabelo grande e roupas sem lavar, o menino disse que moram em um condomínio do Programa Minha Casa, Minha Vida, localizado no bairro Mangabeira.
“Se eu vender tudo ganho 10 reais e o almoço”, informa. Perguntado se os pais sabem dessa “atividade”, o menino disse que sim. “Dou os 10 reais a minha mãe”, afirma.
Ele disse que tudo é rigorosamente controlado e tem punição para quem viola as regras impostas “pelos tios”, como chamam os exploradores. “Se faltar dinheiro a gente apanha”, denunciou. Embora esteja matriculado em escola, falta constantemente por conta “do trabalho”.
Outra exploração de menores comum em Feira de Santana acontece dentro de algumas agências bancárias. Mulheres levam crianças, até de colo, para pedirem dinheiro aos clientes que fazem saques nos caixas eletrônicos.
Todas essas formas de exploração de menores acontecem à luz do dia sem que, ao que se sabe, os exploradores sejam incomodados pelas autoridades. Taí uma boa oportunidade para os Conselhos Tutelares mostrarem serviço.
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, a exploração de menores é crime, passível de detenção e multa. Além disso, as crianças também podem ser recolhidas a instituição que as acolham garantindo seus direitos.