O vereador Luiz da Feira (foto) levou o que se pode chamar de aperto, na manhã dessa quarta-feira (11), na Câmara Municipal. Segundo colegas, o parlamentar, que se intitula defensor e representante de camelôs na Casa, “agiu por debaixo dos panos, marcando reuniões para tratar do Shopping Popular, mas sem informar aos colegas”.
Quem iniciou as cobranças foi Isaías de Diogo (PDT). Ele repercutiu a entrevista que Luiz da Feira (PPL) concedeu, nesta quarta-feira, ao programa Acorda Cidade.
“Ouvimos a entrevista do colega Luiz da Feira, que se intitula defensor dos camelôs de Feira, e ouvi dizer que esta Casa e os edis, com exceção de Tourinho, votam contra estes trabalhadores. Penso que naquele momento ele estava emocionado, faltou com a verdade e quis ir para a galera, como ele gosta de fazer. Todas as vezes que ele marcou as reuniões com os camelôs foi por debaixo do pano; foi com a programação do chefe de gabinete dele, que exclui os demais edis”, disparou Isaías.
E continuou. “Faço um desafio: quantos de vocês, vereadores, foram convidados por Luiz para participar de reunião com os camelôs? Participam apenas ele e o chefe de gabinete dele, Robson Leite, que é presidente do Sindicato dos Camelôs de Feira. Nunca fomos contra os camelôs. Estamos conversando e entendemos que esta Casa é do povo. Precisamos parar de politicagem”, avaliou.
Em aparte, Ron do Povo (PTC) parabenizou o discurso do colega e reforçou que também não foi convidado para participar de reunião com os camelôs. “Luiz da Feira foi infeliz no que falou na rádio. Em nenhum momento nos mantivemos contra os camelôs. Porque Robson não movimentou a formação de uma comissão nesta Casa para estar com o prefeito? Isso foi manobra política, não precisa disso. Camelôs, podem contar comigo”, disse.
Na mesma linha seguiu o vereador Gilmar Amorim (PTC). “Várias reuniões aconteceram no Shopping Popular e nós, em momento algum, fomos convidados por Vossa Excelência ou por Robson. Não sabíamos o que estava acontecendo, talvez se soubéssemos teríamos tomado decisões melhores e feito mais debates. Não pode nos difamar em programas de rádio. Depois que a coisa não saiu como pensava quer jogar a culpa nesta Casa”, cutucou.
Também em aparte, o vereador Fabiano da Van (Cidadania) lembrou que desde 2014 que Luiz da Feira faz reuniões com os camelôs. “Inclusive, ele esteve em São Paulo em encontro com empresário. Poderíamos ajudar, mas não sabíamos de nada, pois nunca fomos convidados. Estamos aqui para ajudar. Não concordamos com essas reuniões escondidas”, disse.
Lulinha pediu que o colega não “jogue os camelôs contra os vereadores”. “Quero pedir a Luiz da Feira que faça seu trabalho a favor do camelô, mas não jogando eles contra os vereadores. Estamos fazendo o que é possível para ajudar. Este processo de relocação vem rolando há muitos anos. Eu já fui camelô e lembro que fui relocado para um local ao relento e passamos dificuldades. Agora, os camelôs estarão em local fechado, com segurança, estrutura”, pontuou lulinha.
Luiz da Feira - Em sua defesa, o vereador afirmou que quem tem obrigação de convidar os edis para as reuniões é o secretário de Desenvolvimento Econômico, Borges Júnior. “Lembro que coloquei aqui nesta Casa dois Requerimentos pedindo ajuda e transparência nesse processo de mudança e não passaram. Então, entendo que fiz minha parte. Dei entrada em pedidos na Secretaria e não fui ouvido. Agora, se vocês aprovassem os Requerimentos, essa situação não estaria acontecendo em Feira”, argumentou.
Para finalizar, Isaías disse que Luiz da Feira deveria ter colocado a Casa a par dos problemas desde o início. “Fez as coisas debaixo do pano e quando viu que as coisas não sairiam do seu jeito jogou a culpa nesta Casa”, concluiu.
Pelo visto essa conversa ainda vai dar muito pano pra manga.