O casal Sidnei Costa dos Santos, conhecido como Magal (foto), e Daiane de Jesus de Assis, vive a expectativa de que seja feita justiça. Eles acusam o diretor municipal de Parques e Jardins da Secretaria de Serviços Públicos, Deodato Peixinho, de assédio e importunação sexual dentro da própria SESP. Ao Protagonista, Magal, que é funcionário da Secretaria Municipal de Governo, relata, com detalhes, tudo que ocorreu antes, durante e após o suposto assédio a Daiane. Em uma longa entrevista, ele diz enfrentar dificuldade no tratamento dispensado no Complexo Policial do Sobradinho ao casal, mas destaca a imparcialidade da Delegacia da Mulher. Magal responde, também, à especulação do acusado, de que tudo não passa de uma armação e relata como a esposa está enfrentando toda essa situação.
O Protagonista - O que aconteceu naquele dia, detalhadamente?
Magal - Há um mês atrás estávamos esperando essa vaga. Quando o secretário Justiniano liberou, disse que a gente se dirigisse à cooperativa. Automaticamente providenciamos a documentação, abrimos a conta no banco, tudo normal. Na quinta-feira nós terminamos todos os trâmites. Na segunda-feira retornamos à cooperativa e nos orientaram que fôssemos até a Secretaria de Serviços Públicos. Chegando lá, nos apresentamos no posto da cooperativa, que tem lá dentro da Secretaria. Uma moça foi nos apresentar até o senhor Deodato. Ela disse que a gente tinha que procurar ele (Deodato). Esperamos ele e quando ele chegou na sala deu aquela estranheza: “oxe, mulher trabalhando comigo, se o trabalho aqui é pesado?”. Foi quando ele perguntou se minha esposa tinha 2º grau, qual era o grau de escolaridade, que ele poderia até ajudar para ela crescer lá dentro. Prontamente minha esposa entregou o currículo na minha frente. Meu celular tocou e eu saí da sala. Como eu já tinha apresentado como minha esposa, e ele seria o chefe dela, eu não achei nada demais, porque ia ter o contato sempre, seria normal ficarem na sala sozinhos, desde quando o chefe respeite o seu subordinado. Quando tinha passado uns 10 minutos, e eu lá fora, ela saiu da sala e pediu para ir embora, dizendo que não queria mais trabalhar lá. Eu perguntei o que foi e ela disse: “Lá fora eu te falo”. A´eu disse: “Não, conte aqui o que tá acontecendo!” Aí ela começou a me contar que quando eu saí da sala, ele disse que ela tinha chance de crescer dentro da Secretaria, mas tinha que ser desbloqueada com ele. Perguntou se o anel que ela tinha no dedo representava restrições, porque ele também tinha o anel dele, mas que ele não tinha restrições. Perguntou se ela tinha alguma amiga íntima e ela disse que não. Aí ele disse: “É bom, porque amiga é quem destrói esse tipo de coisa”. Ela disse: “Eu não estou entendendo o que tá acontecendo!” Ele: “Não, é porque pra você crescer aqui tem que ser desbloqueada. Seu marido olha seu whatsapp?” Ela falou: “Não, meu marido não liga para essas coisas.” Aí ele: “Pronto, melhor assim!” Aí, como ela percebeu que seria questão de um assédio, ela quis sair da sala, foi quando ele levantou e disse: “Não, venha cá pra mim lhe dar um abraço! Cercou ela, abraçou, encostou as partes íntimas e tentou beijar na boca. Ela aí saiu da sala em pânico. Quando ela me contou, eu fui tirar satisfação. Houve uma pequena discussão. Ele negando a situação. Prontamente a gente ligou para a Polícia Militar. A PM não conduziu ele até a delegacia. Então nós fomos à delegacia dar queixa. Lá, a delegada disse que como houve o contato de um corpo com o outro, ele teria que ter sido encaminhado em flagrante, mas a PM não o conduziu.
O Protagonista - Vocês conheciam o diretor Deodato Peixinho?
Magal - Minha esposa nunca viu ele. Eu já o conhecia, porque eu também faço parte do governo. Sou nomeado na Secretaria de Governo e quando eu levava demandas para a SESP, sempre eu via ele lá e tal, mas não tinha, assim, essa aproximação de amizade. Por exemplo: já solicitei ao ex-prefeito Zé Ronaldo demandas que ele (Deodato) resolvia porque me falavam pra procurar ele. O cargo que eu ocupo tem contato com várias secretarias. E a que mais a gente trabalha é a de Serviços Públicos. Sempre precisamos resolver as coisas com parques e jardins, iluminação pública, limpeza pública, então é a secretaria que os agentes regionais têm mais contato. O único contato que eu tinha com ele era esse aí, de trabalho.
O Protagonista – O acusado alega ter sido vítima de uma armação. O que vocês têm a dizer sobre isso?
Magal - Armação de que tipo? Se nós, como família, o interesse era que minha esposa estivesse trabalhando, para aumentar a renda familiar. Nós temos filhos para criar, nós temos compromissos a pagar, por que a gente iria armar alguma coisa para ele? Ele tem que provar. Porque nós chegamos na secretaria felizes da vida. Ela ia começar a trabalhar, já fazendo planos para o final do ano. A gente ia perder a oportunidade para começar a trabalhar? Então não tem questão de armação nenhuma. Não sei o que ele pensa, qual o tipo de armação ele fala.
O Protagonista - Como têm sido os dias após o ocorrido?
Magal - Muito difícil. Os dias de nossa vida agora estão muito difíceis, porque a gente tem que correr, correr muito para provar essa situação. Nós estamos praticamente andando juntos todos os dias, lutando para que a gente não passe vergonha, porque ele tem o poder, ele tem o poder porque ele coagiu, quando correu para dar uma queixa contra a gente. E a polícia, prontamente, marcou a audiência dele primeiro que a nossa. Ela como vítima, mas marcaram a audiência dele primeiro, enquanto pessoas comuns que vão à delegacia dar uma queixa de ameaça, passam 4 meses em média para que tenha a primeira audiência.
O Protagonista – Sua esposa está trabalhando?
Magal - Ela não está trabalhando. Não entrou em folha ainda. O secretário Justiniano pediu que esperasse a sindicância, e depois ia ver o posicionamento da Prefeitura. Mas não perdeu o emprego, não.
O Protagonista – O que vocês esperam da sindicância instaurada na Secretaria de Serviços pelo governo municipal?
Magal - Se fosse outra pessoa no comando do Executivo municipal, a gente podia até desconfiar. Mas pelo perfil do prefeito Colbert, essa sindicância vai apurar, porque o prefeito Colbert é uma pessoa íntegra, que não aceita esse tipo de coisa. Então nós acreditamos em punição, sim.
O Protagonista - O que vocês esperam da Polícia?
Magal - Esperamos imparcialidade das nossas autoridades. Até agora na Delegacia da Mulher as delegadas têm sido imparciais. Agora, no complexo de delegacias do Sobradinho, parece que ele está sendo favorecido, parece que o delegado titular está puxando para o lado dele, porque enquanto uma pessoa normal espera 4 meses para conseguir uma audiência, esse rapaz, por conta do poder, conseguiu assim logo. Mas nós temos confiança na Delegacia da Mulher, que está conduzindo de forma imparcial, e nós vamos conseguir provar o que estamos dizendo.