A semana passada foi agitada para a extrema direita do país, envolta no escândalo do laranjal do PSL - partido que Bolsonaro usou para se eleger presidente do país - com a ameaça de saída dele e de parte do seu grupo, devido ao aprofundamento das investigações que colocam o próprio presidente no centro do furacão como receptor de propinas do caixa dois do laranjal. A jogada de Bolsonaro é sair do PSL como “santo” por conta da corrupção no partido, corrupção que ele criou, usou e abusou para se eleger. Mas ficou isolado, nem todos os deputados do seu partido acenaram com a debandada liderada por ele. Outro problema é abandonar a dinheirama em caixa do partido, cerca de 737 milhões de reais, que seriam administrados pelo presidente do partido, o deputado Luciano Bivar, agora seu desafeto e também dono do laranjal denunciado pela PF.
O jogo de cena do tal “mito” não caiu bem para parte dos seus seguidores, os odiosos “bolsominions”, nem para a turma de cima, do dinheiro farto, ansiosa para receber de volta a ajuda financeira prometida, e começa a demonstrar fadiga e desconfiança das atitudes transloucadas do presidente. Para complicar mais ainda a vida do presidente Bolsonaro, a sua mulher, que é evangélica, o proibiu de comparecer aos atos religiosos na Bahia e em Roma de beatificação da Irmã Dulce, atitude que desagradou aos “cristãos católicos”, ainda maioria da população brasileira. Esta atitude mostra o despreparo do presidente para um cargo que requer laicidade e respeito a todas matizes religiosas e não religiosas.
E, para fechar com chave de ouro a semana de Bolsonaro, a notícia bombástica de que os Estados Unidos desistiram de endossar o apoio para a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) desmoralizou de vez o presidente Bolsonaro, que vergonhosamente se agachou para o mandatário americano na certeza de que aquele iria dar o aval para o Brasil. Uma última notícia da semana que aumenta a dor de cabeça do Bolsonaro é o aprofundamento das investigações sobre as fake news da campanha que o elegeu presidente, que pode culminar com a perda do seu mandato. Com muito menos um governo de esquerda já teria caído, mas tudo leva a crer que com o abandono dos apoios, a queda deste desgoverno é inevitável.

Messias Gonzaga é bioquímico e ex-vereador