Quem, da minha geração, em sua tenra juventude, não teve seus sonhos frustrados, irmãos, irmãs, amigos e amigas perseguidos, presos, mutilados ou exilados pela ditadura militar, a qual assolou o país entre os anos de 1964 a 1985? Entretanto, essa mesma geração que lutou bravamente e viu como fruto da sua luta o fim da ditadura, não poderia imaginar que aquele pesadelo poderia retornar para fazer os mesmos males de então.
Quem poderia imaginar que voltaria ao poder, e de uma forma inimaginável: através do voto da maioria do povo - o mesmo povo que sofreu na pele a repressão da ditadura – os algozes da Ditadura Militar. Que uma chapa de militares do Exército, a principal força opressora do golpe de 64, seria montada sem nenhuma vergonha, e defendendo torturas e torturadores, armamento para a população, e ainda usando-se da religião como pano de fundo, essa chapa seria vitoriosa?
Não, isso não é um pesadelo, é a realidade. Foi isso mesmo que aconteceu. Um monte de gente embrutecida, espumando e disseminando ódio e mentiras contra forças políticas democráticas que concorriam ao pleito, tendo à frente um obscuro deputado federal e seu vice também obscuro general da reserva, com um exército de gente raivosa, com o seu clã familiar comandando milicianos matadores, corruptos e perseguidores foram vitoriosos. O que se viu desde o resultado da eleição foi a preparação do desmonte do estado nacional e o entreguismo mais vergonhoso que se tem notícias, um presidente eleito sem rumo, sem projeto, sem programa, dizendo que governaria como o presidente americano, Donald Trump, quisesse. O que se viu desde a posse dessa nefasta figura, foi o seu clã formado por três filhos e sua esposa, um decrépito senhor morador dos Estados Unidos comandando o desmanche do país, principalmente a educação, mas também a economia, a Previdência nacional, o parque industrial, a fauna e flora, a perseguição a todos que se colocavam contra as atitudes tresloucadas do presidente e sua trupe. Semana passada, o país foi sacudido pela proposta de um dos filhos do presidente, o deputado federal por São Paulo: Eduardo Bolsonaro, aquele mocinho frustrado por não ter conseguido ser Embaixador do Brasil nos Estados Unidos, que ameaçou a Nação com a reedição do AI-5, Decreto de 1968 que endureceu mais ainda a ditadura, com o fechamento do Congresso Nacional, cassação de mandatos, impôs a censura, suspendeu o direito a habeas corpus para crimes políticos e abriu caminho para outras medidas de exceção, marca repressora da ditadura.
Para lavar nossa alma, a reação foi imediata. Várias forças políticas representadas pelos partidos, entidades civis e o povo, através de vários meios de comunicação, se levantaram formando uma barreira contra a pretensão daquele fedelho, e atos políticos estão marcados para acontecer esta semana. Mas não nos iludamos achando que a proposta foi um ato isolado e desesperado do deputado. O clã dos Bolsonaro pensa, deseja e trabalha na perspectiva de dar um golpe. Ao somar esses ingredientes chega-se à conclusão que precisamos com urgência formar frentes amplas para defender o Brasil, e levantar bem alto a bandeira: DITADURA NUNCA MAIS!

Messias Gonzaga é bioquímico, ex-vereador e escreve às segundas-feiras no Protagonista