O quase sempre equilibrado vereador Roberto Tourinho, que desempenha o cômodo papel de, hoje, opositor ao governo municipal na Câmara de Vereadores, defendeu o que chamou de “democrática fila da Central Estadual de Regulação”.
Na sessão ordinária desta quarta-feira (13), na tribuna da Câmara, Tourinho (PV) se dirigiu à imprensa feirense. “Quero me dirigir à imprensa de Feira nesse episódio. A discussão toda é porque por muitos anos a saúde sempre foi forma de ganhar voto. Quem não lembra de deputados que tinham ambulância, onde levavam pacientes aos hospitais e ganhavam votos? Isso fez até motorista de ambulância ser eleito vereador. Aí se criou o Samu, que acabou com essa prática. Depois se criou cargos em hospitais, onde as pessoas tinham atendimento quando tinha amigos políticos”, pontuou Tourinho. Até aí discurso coerente.
Mas, quando se referiu à Central Estadual de Regulação, se perdeu em meio à avidez da crítica a quem, não muito distante, foi aliado: “Estamos ouvindo aqui as críticas à Central de Regulação. Vou dizer uma coisa: não existe nada mais democrático do que a fila de regulação. Ela permite que o pobre, o preto e qualquer um tenha direito de ser transferido para um hospital, independentemente de pedidos. O que acontece é que os senhores não querem enxergar que, ao invés de fazer crítica à regulação, devem cobrar aumento no número de leitos em hospitais”, disse.
Ainda tentou amenizar. “O que tem acontecido é que tem demorado para acontecer essa transferência, pois a quantidade de vagas é inferior à quantidade da necessidade. Mas, ninguém cobra aqui que Feira de Santana tenha hospital Municipal. Essa discussão toda é porque alguns perderam as mamatas, boquinhas que tinham dentro do HGCA”, findou.

Evidentemente o vereador não citou “quem perdeu a mamata e a boquinha no HGCA”. Mas o fato, meu nobre vereador, é que, nesse momento, por exemplo, um jovem de 31 anos está entre a vida e a morte em uma cama do Hospital Dom Pedro, à espera de uma vaga (leia mais). E outros casos de morte na fila da regulação têm sido levados a público por colegas seus na Câmara.
O que o Protagonista cobra é um maior critério nessa cruel regulação. Como o Governo do Estado, que o senhor omitiu em seu discurso, pode saber se alguém que está à frente na “fila da morte” está em estado menos ou mais crítico que esse jovem de 31 anos?
O senhor defende a “democratização da regulação” porque nem vossa excelência, muito menos algum parente seu – graças a Deus para vocês -, deve estar com a vida em risco aguardando ser chamado para um hospital com melhores condições de atendimento.
Meu nobre vereador, em saúde, tempo, muitas vezes, é vida. Ou morte.