A coluna Feira em História, publicada no site da Prefeitura Municipal de Feira de Santana, nesta segunda-feira (9) traz um interessante artigo do jornalista Adilson Simas. Explica a criação do Título de Cidadão Feirense e a Comenda Maria Quitéria, tempos em que conceder uma dessas honrarias hoje banalizadas na Câmara Municipal, era apenas de “caju em caju”.
“Até os anos 70, a Câmara Municipal de Feira de Santana dispunha, apenas, do título de “Cidadão Feirense”, com o qual o Legislativo distinguia pessoas com grandes serviços prestados ao município, mas que aqui não nasceram.
O primeiro título, quando o Legislativo ainda funcionava no prédio da Prefeitura, foi concedido ao Padre Mário Pessoa Bahiense da Silva. O autor da resolução foi o vereador Antônio Pinto, irmão de Chico Pinto, durante a IV Legislatura (1959/1962).
Padre Mário nasceu em Salvador, mas grande parte de sua vida foi dedicada a Feira de Santana. Homem santo, entre outras marcas, além de dar continuidade ao Asilo de Lourdes, idealizado por Padre Ovídio, criou o Dispensário de Santana.
Em 1979, na IX legislatura, a Câmara instituiu a “Comenda Maria Quitéria”. Para distinguir personalidades com comprovadas ações em favor do município nos diversos setores. Além dos feirenses, também são laureados os não feirenses. Tipo aquela história: a personalidade não pode ter o título de Cidadão Feirense, mas faz jus à Comenda Maria Quitéria.
O autor foi o vereador Antônio Carlos Daltro Coelho e o escolhido para receber a primeira comenda foi o radialista Edival Souza, que dispensa comentários.
Antes, sessão especial da Câmara para a entrega do título de “Cidadão Feirense” ou da “Comenda Maria Quitéria”, só acontecia de “caju em caju”, dada à rigidez que marcava a votação e aprovação das honrarias.
Aquele acontecimento mexia com toda a cidade. Povo, autoridades e os próprios vereadores disputavam espaço, sem falar que a filarmônica escalada, executado o Hino a Feira e seus belos dobrados, geralmente inaugurando farda nova.
O evento, porém, passou a ser realizado quase que o ano inteiro, transformado em ato rotineiro da Casa e, muitas vezes, quase sem a presença dos próprios vereadores.
Exceto em raros casos, muitas dessas sessões são realizadas apenas com a presença do presidente da Casa - quando aparece -, do vereador autor da proposta que termina comandando o ato e o homenageado com seus convidados.
Acreditamos que os escolhidos, todos eles, são dignos da homenagem. Por outro lado, não podemos esconder que nos dias atuais já não existe a mesma rigidez do passado na indicação.
Mesmo com o título de “Cidadão Feirense” e a “Comenda Maria Quitéria” não mais motivando sessões com o mesmo brilho de outrora, a Câmara continua criando outras condecorações que de tão abrangentes terminam diminuindo ainda mais o objetivo da Comenda Maria Quitéria, destinada às pessoas com serviços prestados nas mais diversas áreas.
A propósito, vale lembrar algumas honrarias e suas respectivas denominações, também concedidas pelos nossos vereadores:
Áureo Filho (pessoas com atuação na área educacional); Filinto Bastos (no poder Judiciário); Padre Ovídio (ligadas à igreja católica); Godofredo Filho (ligadas às artes e às letras); Colbert Martins (ligadas à Maçonaria); Gastão Guimarães (médicos e profissionais ligados à Saúde); Tertuliano Santos (ligadas às músicas e composições); Armando Menezes (Servidores municipais dos dois poderes); Anápio Miranda (engenheiros e arquitetos) Enook Oliveira (ligadas às ciências contábeis). 
Destaque também para a condecoração denominada Missionário Roderick (Pessoas ligadas às igrejas evangélicas); Dival Machado (concedida aos legisladores municipais no Dia do Vereador); Arnold Silva (concedida anualmente a profissionais e órgãos de comunicação pela cobertura dos trabalhos da Casa).
Por fim, existe, também, entre as honrarias o Mérito Rotário, Zumbi dos Palmares, Certificado Verde e Certificado de Excelência e outras”.