Cerca de dois meses após o Protagonista denunciar a exploração de menores dentro do Mercado de Arte Popular (leia mais) e as autoridades se comprometerem a fiscalizar o abuso, a situação continua a mesma. No último sábado (7), crianças seguiam vendendo doces e pedindo dinheiro a frequentadores do MAP, sob a supervisão de adultos.
Infelizmente são cenas que comerciantes e frequentadores do Mercado de Arte Popular se acostumaram a ver, todos os dias. Quem se sensibiliza e compra um doce ou dá algum dinheiro às crianças não imaginam que o valor arrecadado vai para os bolsos de adultos que exploram as crianças.
O Protagonista, mais uma vez, fotografou situações no MAP que comprovam a sequência da exploração dessas crianças. No sábado (7) havia oito crianças, fiscalizadas por duas mulheres.
Tem até um bebê, que aparenta sofrer com a exposição ao forte calor, mas estava nos braços de uma das mulheres enquanto ela mesma tentava vender os doces.
A reunião do grupo, mais uma vez, aconteceu ao lado do palco do MAP. Ali são distribuídos os doces para serem vendidos e feita a contabilidade do dinheiro. Uma cartela de chiclete custa R$ 2 reais, por exemplo.
P.P.S., de 10 anos revela que foi convidada por uma vizinha para “trabalhar” no Mercado. E o que é pior: foi orientada pela mulher a usar uma roupa mais curta. “Ela disse que era pra chamar a atenção das pessoas”, explica a criança. 


Pelo “serviço” de vender cartelas de chiclete a menor diz que ganharia R$ 10, quando voltasse pra casa, por volta de 14h – chegaram ao centro da cidade às 7h. Moram em um apartamento do programa Minha Casa, Minha Vida, na Mangabeira.
A exploração de menores acontece também dentro de algumas agências bancárias e lojas do centro comercial de Feira de Santana.
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, a exploração de menores é crime, passível de detenção e multa. Além disso, as crianças também podem ser recolhidas a instituição que as acolham garantindo seus direitos.
Porém, mesmo informados pelo Protagonista mais de uma vez sobre a exploração dessas crianças, nem Conselho Tutelar nem o Conselho da Criança de Adolescente conseguem evitar o crime. E o que é pior: comerciantes do MAP procurados pelo blog afirmaram nunca ter visto prepostos desses órgãos no local atuando.