O deputado federal Zé Neto (PT) espera contar com o apoio de Ângelo Almeida e de Carlos Geílson, “no primeiro ou segundo turno” das eleições municipais em 2020, embora ambos não “morram de amores pelo petista”. Em entrevista ao Protagonista, o parlamentar afirma que estar em primeiro lugar nas pesquisas realizadas e divulgadas até agora, tem seu preço: “ficamos alvo de fake news, de mentiras”. A seguir, a entrevista na íntegra.

O Protagonista - Quais suas perspectivas políticas para 2020?
Zé Neto - As perspectivas para 2020 são boas. Nós estamos com o PT num momento rico na cidade, muita maturidade. Temos uma pré-candidatura escolhida por unanimidade do partido. Isso é uma coisa espetacular no ponto de vista das condições que nós temos para conversar com outras forças políticas e conversar com os setores todos da cidade, trabalhadores, empresários, cultura, educação, saúde, transporte, centro de abastecimento, ambulantes, setor produtivo de forma geral. Temos um momento de muita consistência do ponto de vista da política e eu só peço a Deus saúde para poder cumprir essa tarefa que me foi dada pelo meu partido: ser o pré-candidato do PT. E também cumprir minha missão de deputado federal em um momento muito delicado do país, onde o protagonismo da Câmara Federal e do Senado são grandes e a gente precisa, evidentemente, como se fala no interior, estar com um olho na missa e outro no padre, além de pedir a Deus muito discernimento, paciência e muita força para trabalhar.
O Protagonista – O sr. termina 2019 liderando as pesquisas. O que fazer para consolidar a liderança e até ampliar a vantagem?
Zé Neto - 2019 foi um ano, no ponto de vista das pesquisas, produtivo para a a gente. Em todos os cenários a gente teve um retrato positivo, mas isso não pode balizar e nem acomodar nossa caminhada. Quem tem que balizar nossa caminhada é o trabalho, a humildade, a responsabilidade com nosso povo. É construir um projeto coletivo para a cidade, e pesquisa pode melhorar, pode estabilizar, pode piorar. Eu acho que a gente tem que nortear muito mais o pé na estrada, o ouvir os setores da cidade, construindo um caminho de muita responsabilidade como a gente vem fazendo. Ainda não chegamos ao momento eleitoral, então pesquisa tem um valor muito relativo. Claro que é bom começar por cima, mas, ao mesmo tempo, dá mais responsabilidade. Ficamos alvo de fake news, de mentiras, disso, daquilo outro, então a gente tem que ter pés no chão e serenidade para seguir trabalhando.
O Protagonista - O Projeto Ouvindo Feira vai chegar à zona urbana, depois de percorrer os distritos. Qual sua expectativa e os objetivos do projeto na cidade?
Zé Neto - O projeto Ouvindo Feira foi muito importante, foi um dos mais importantes projetos políticos que aconteceu em Feira nessas últimas décadas. Três mandados, um federal, um estadual e outro municipal, no caso eu, Robinson Almeida e Alberto Nery nos reunimos e fomos aos oito distritos ouvir as reclamações e as ideias das pessoas de forma aberta, democrática, enriquecedora, em audiências públicas. Pode contribuir muito com nossa ação parlamentar, em levar os pleitos municipais, estaduais e federais a quem de direito. Então foi uma grande vivência para os nossos mandatos, e agora a gente vai caminhar para fazermos na cidade, nos bairros da cidade. Vamos sentar agora em janeiro para discutirmos o formato, como a gente encaixa tudo direitinho, porque vai começar o processo eleitoral e a gente tem que ter cuidado com toda essa parte da legislação e saber o momento certo de fazer cada coisa. Então vamos sentar agora em janeiro para organizarmos o “Ouvir Feira” nos bairros, cobrindo toda a zona urbana.
O Protagonista - Embora o deputado lidere as pesquisas até agora, não há boas perspectivas de apoios para sua candidatura – Angelo Almeida e Carlos Geilson, por exemplo, já disseram que não alinham com o sr. Há como reverter essa dificuldade?
Zé Neto - Está tudo ainda muito nebuloso quanto aos apoios, tanto para o nosso campo como para o campo deles. No campo deles a gente vê algumas movimentações na velha prática do toma lá dá cá. Nisso a gente não vai entrar. Do lado de lá também tem um problema muito grave, onde o próprio prefeito ainda não sabe se vai ter o apoio do ex-prefeito, pois este ainda não se manifestou com clareza sobre o seu apoio ao atual prefeito. Portanto, muito nebuloso este processo de quem vai ficar com quem. Ângelo Almeida e Carlos Geilson fazem parte do projeto liderado pelo governador Rui Costa no nosso estado. Então fazem parte do mesmo campo que eu. Com todos dois eu tenho um relacionamento político muito respeitoso. Politicamente sempre tem algo para se melhorar. Como é uma eleição de dois turnos, vamos ter paciência para conduzir essa conversa, tanto com os partidos que estão em nossa base como também com as lideranças políticas, para não estar tratando nada de forma inconsequente. Respeito ambos e espero que a gente possa estar juntos no 1º ou no 2º turno.