Diretores do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado da Bahia denunciaram um verdadeiro absurdo ocorrido no Conjunto Penal feirense: um detento de alta periculosidade e procurado em vários estados brasileiros trabalhou durante vários meses no setor de informática do Presídio, tendo acesso ao sistema nacional de segurança, que é interligado.
A denúncia é do presidente Sindicato, Reivon Pimentel. Um grupo de sindicalistas esteve, na manhã desse sábado (18), no Programa Subaé Notícias, comandado pelo radialista Marcos Valentim.
De acordo com o presidente do sindicato, o detento teve autorização da direção do Conjunto Penal de Feira para atuar no setor informática. Uma permissão absurda, em sua avaliação.
“Essa situação foi descoberta e relatada no livro de ocorrências do plantão por um policial penal. Ao invés de ser elogiado, foi exonerado, mesmo com mais de dois anos de serviços prestados na unidade”, denuncia o sindicalista.
Essa situação perdurou por 8 meses. Até que há 20 dias o preso Eliel Felipe Quadra foi recambiado para Minas Gerais. “Ele é de alta periculosidade. Tem 28 crimes cometidos em vários estados. Foi preso em Feira em uma blitz da Polícia Rodoviária Federal”, informa Reivon.
Bomba relógio – Reivon também denuncia a defasagem do efetivo de agentes em Feira de Santana. “Outro problema é o efetivo de policiais penais. O ideal seria um agente para cada 5 apenados. Em Feira de Santana é um agente para cada 300 presos no plantão”, compara.
No Conjunto Penal de Feira de Santana são 11 pavilhões masculino e um feminino além de um mini presídio.
Outro problema apontado por Reivon no sistema penal baiano é a ingerência política. “Os cargos de alto escalão são ocupados por políticos ou por pessoas indicadas por eles. Não são técnicos e isso atrapalha”, avalia.
Ao concluir a entrevista ao Protagonista, Reivon Pimentel faz um importante alerta e uma revelação: “Essas situações absurdas transformam o Conjunto penal de Feira de Santana em uma gigantesca panela de pressão. A capacidade do Presídio de Feira é de 1.356 presos. Tem 1.915 atualmente. Quase 40% a mais da capacidade e ainda tem um pavilhão interditado. Aqui é o Carandiru baiano. Deveria ser dividido em 5 unidades, independentes”, recomenda.