“Feira é uma cidade racista, homofóbica e preconceituosa”. A avaliação é da presidente do Conselho Municipal das Comunidades Negras e Indígenas de Feira de Santana, Lourdes Santana. E a julgar pelo grande número de ocorrências registradas em 2019, ela tem razão.
Conforme os dados apresentados pelo Conselho, em 2019, ao todo, foram registradas cerca de 1200 ocorrências, com denúncias que variam desde racismo praticado contra professores em sala de aula, em lojas e transportes coletivos e até mesmo espancamento de pessoas negras em eventos.
Esses números superam os do ano passado, quando cerca de 890 casos foram registrados - aumento de 35%. Segundo Lourdes Santana, justamente no mês de novembro, quando é celebrada a Consciência Negra no Brasil, foi um dos piores períodos neste aspecto. Cerca de 15 pessoas registraram ocorrências de racismo ou injúria racial neste mês.
Um desses casos teve grande repercussão na cidade. Um anúncio de vaga de emprego buscava “atendentes de pele clara”, caso denunciado em primeira mão pelo Protagonista (leia mais).
Lourdes ressalta que a realidade da população negra na cidade não é fácil. “Feira de Santana é uma cidade extremamente racista. É triste dizer isso porque eu nasci aqui e amo minha cidade, mas é uma cidade racista, homofóbica e preconceituosa”. Como exemplo disso, ela destaca a falta de pessoas negras em cargos de maior relevância em instituições públicas e privadas.
A intolerância religiosa também é um desafio para esse grupo, já que as religiões de matriz africana ainda são mal vistas e sofrem constantes ataques.
A expectativa de Lourdes para o próximo ano é que haja menos casos de racismo e injúria racial e que o próximo presidente a assumir o órgão possa aprimorar o trabalho já realizado.
O Conselho Municipal das Comunidades Negras e Indígenas é um órgão fiscalizador vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social. Dentre suas atribuições está a supervisão de ações realizadas no município, promoção de ações e palestras e o apoio a eventos ligados a cultura negra em Feira de Santana.
O Conselho também acolhe denúncias de crimes raciais e presta a assistência necessária para as vítimas, mediando conflitos e fazendo os encaminhamentos necessários para que os casos sejam levados à justiça. Além disso, é papel do conselho oferecer assistência na elaboração de projetos raciais e no fechamento de convênios do município.
(Foto: Secom)