A negociação entre a diretoria do Fluminense de Feira e o goleiro Bruno, preso pelo assassinato de Elisa Samudio, repercutiu negativamente em Feira de Santana. Um grupo bastante atuante de feminista feirenses, o Jusfeminista, repudiou veementemente a possibilidade de o jogador vestir a camisa do tricolor feirense. Em nota enviada ao Protagonista, o grupo apelou à diretoria do clube feirense para não concretizar a contratação. O grupo pediu anonimato. "Não queremos promoção pessoal", destacou uma das integrantes. A seguir a íntegra da nota.
“O Jusfeminista é um coletivo multidisciplinar que oferece serviço de apoio a mulheres vítimas de violência e em situação de vulnerabilidade.
Foi noticiado pela mídia local, que uma importante instituição do futebol feirense, o Fluminense de Feira, está negociando a contração do goleiro Bruno.
Apenas para recordar o caso, Bruno e seus cúmplices foram condenados pela morte de Elisa Samudio (ex namorada do goleiro e mãe do seu filho).
A investigação do crime constatou que a motivação do crime seria a pensão alimentícia que o goleiro não queria adimplir. No entanto, o crime foi executado com traços de crueldade e, como já foi excessivamente divulgado pela mídia, os restos mortais da Elisa Samudio teriam sido servidos para cachorros.
Entendemos que a ressocialização de ex-presidiários é importante para, de alguma forma, evitar-se a reincidência. Entretanto, no caso concreto, dada a repercussão, os detalhes sórdidos, a motivação, a execução do crime e a translúcida falta de arrependimento do goleiro Bruno, não acreditamos que seja um simples caso de ressocialização.
O goleiro Bruno não cometeu um crime comum. Se trata, em verdade, de um crime baseado na violência e no ódio de gênero. O mesmo também não se encontra, como a maioria da população carcerária desse país, em situação de vulnerabilidade social e econômica. Tornando esse caso muito mais complexo do que uma simples ressocialização.
Para nós, a ressocialização de pessoas que cometeram crimes baseados no ódio a um grupo de indivíduos (sejam mulheres, negros, a população LGBTQIA+, estrangeiros e etc) deve perpassar pela reparação civil às vítimas e pessoas afetadas pelo crime, bem como pela postura de mudança e arrependimento por parte indivíduo que enseja a ressocialização.
O feminicídio é o crime que mais cresce no país. Diariamente, milhares de mulheres são mortas por seus companheiros/namorados/maridos e a contratação do goleiro Bruno demonstra que parte da sociedade encara o crime de feminicídio de forma banal, não dando a devida importância ao seu combate.
Ante o exposto, repudiamos a contração de Bruno pelo Fluminense de Feira e pedimos para que o clube reconsidere a negociação, pois essa será uma atitude anti-machista e um apoio no combate ao feminicídio”.
O coletivo existe há 1 ano e 2 meses. Atualmente conta com sete integrantes. Contato via Instagram: https://instagram.com/jusfeminista