A próxima quinta-feira (14) é um dia decisivo para dezenas de rodoviários que trabalham nas empresas de ônibus urbanos em Feira de Santana. É a última tentativa da categoria para evitar a demissão em massa encaminhada pelas empresas São João e Rosa, permissionárias do sistema de transporte no município.
A reunião está marcada para as 10h, online, contado com representantes das empresas, do Sindicato dos Rodoviários e do Ministério Público do Trabalho (MPT).
O Protagonista conversou com o empresário Marco Franco, da empresa São João, e com Alberto Nery, do Sindicato dos Rodoviários. A empresa Rosa foi contatada através de sua assessoria, mas até a publicação dessa matéria não se pronunciou.
O empresário Marco Franco destacou o déficit mensal da São João para justificar as cerca de 130 demissões encaminhadas pela empresa. “Déficit em torno de R$ 1,1 milhão por mês. Mas se desprezamos os custos de investimentos e outros custos indiretos, o déficit cairia para algo em torno de R$ 650 mil/mês, somente na São João”, pontua.
O empresário diz que sem ajuda financeira da Prefeitura as demissões não têm volta. “Da parte da São João, as dispensas já estão efetivadas e só haverá oportunidade de recontratação quando o volume de passageiros e, consequentemente, de ônibus rodando voltar ao normal”, informa.
“Nosso advogado disse, na reunião anterior com o MPT, que as empresas também não gostam e não pretendiam demitir trabalhadores, principalmente numa cidade como Feira de Santana cujas oportunidades de emprego estão mais difíceis”, observa.
“Há um desequilíbrio financeiro enorme no sistema. O custo é muito superior à receita. Ou seja, por se tratar de concessão de um serviço público essencial, o poder público concedente tem a obrigação legal de prover o equilíbrio econômico e financeiro do contrato”, acentua Franco.
SINDICATO DOS RODOVIÁRIO – Através de sua assessoria de comunicação, Alberto Nery disse ao Protagonista que o sindicato vai aguardar a reunião com empresários e o Ministério Público do Trabalho – solicitada pelo sindicato -, na busca da suspensão das demissões. “Caso as demissões sejam efetivadas, o sindicato vai lutar para garantir os direitos dos trabalhadores, mas não vamos desistir de preservar os postos de trabalho dos companheiros”, destaca Nery.
O Sindicato estima 293 demissões no setor, enquanto o empresário Marco Franco diz que o número deve ser menor. “Um pouco menos, juntando as duas empresas”, avalia o empresário.