Em entrevista exclusiva ao Protagonista, nesta sexta (31), o ex-deputado federal Fernando Torres (PSD) prevê uma eleição polarizada em Feira de Santana, entre o representante do governo municipal e do governo estadual. Ele também faz uma avaliação crítica da atuação da Câmara Municipal feirense, que considera péssima e “mal administrada”. Inclusive levanta suspeitas sobre irregularidades na contratação de pessoal no Legislativo feirense. Na segunda parte da entrevista, Fernando avalia o desempenho do governador Rui Costa na pandemia, fala dos projetos do PSD no estado e comenta sobre o político que chama de "maluquinho".

O Protagonista: Qual sua avaliação do atual cenário político feirense?

Fernando Torres: Minha avaliação do cenário político em Feira de Santana é que os pré-candidatos a prefeito já estão definidos. Acho que será como um Ba-Vi, um Fla-Flu, entre o time que está na prefeitura e o time do governo do estado. Era para ter um terceiro grupo, o do governo federal, mas Dayane Pimentel se afastou do governo, e eu até acho que ela errou com essa decisão. A pré-campanha está fria, ainda, devido ao coronavírus. Já era para estar pegando fogo. As campanhas, mesmo para vereador, estão muito frias.

O Protagonista: O senhor é considerado um dos nomes fortes na disputa de uma vaga na Câmara de Vereadores em novembro. Qual sua avaliação sobre o desempenho do Legislativo feirense nesses últimos 3 anos e meio?

Fernando Torres: Não sou pré-candidato forte. Sou pré-candidato que irei competir. O desempenho da Câmara nos últimos três anos e meio eu acho que é péssimo. Eu coloco o meu nome à disposição com o intuito de ajudar a melhorar. Avalio que a Câmara de Feira está mal administrada. O momento é da minha pré-candidatura a vereador, não posso falar em presidência da Câmara, mas devido ao fato dela estar muito mal administrada, eu acho que deve mudar o presidente na próxima legislatura. Tem que mudar! Hoje, na Câmara de Feira, tem vinte e nove serventes que não trabalham. São pessoas que estão lá para agradar aos vereadores e estes conservar o presidente no poder. Isso é um absurdo! Feira de Santana não merece isso. Eu não sei como o Ministério Público ainda não investigou uma coisa dessa. São vários delitos ali. Se não me engano, até irmão de vereador está lotado como serviços gerais da Câmara. Isso é um absurdo. Nós estamos verificando a veracidade disso. Não vou ainda divulgar quem é o vereador e quem é o irmão. Mas isso, realmente, é um absurdo. Com isso, não resta dúvida que é preciso mudar a administração da Câmara.

O Protagonista: Por que o senhor abriu mão da disputa pela Prefeitura de Feira para apoiar a tentativa de reeleição de Colbert Filho?

Fernando Torres: A campanha de prefeito é muito maior que uma campanha de vereador. Em relação a cargos, eu não tenho interesse a cargos maiores. Eu já ocupei diversos cargos, já fui secretário de estado, mas o que me interessa não são cargos. Meu objetivo é ajudar Feira de Santana. Eu abri mão porque não tenho vaidade por cargos. Eu vejo que Colbert merece ir para a reeleição, tem feito uma gestão seguindo os passos de José Ronaldo. Colbert tem seus defeitos, mas eu vou apoiar. Estou trabalhando no partido para concretizar o apoio, eu preciso convencer outros membros do partido. Nesse momento eu acho que não tem outro nome que possa ser melhor. Ou outros nomes, fora Colbert e Zé Neto, eu não acho que tenham força. Ficam, então, Colbert e Zé Neto. E entre eles, Colbert é melhor. Em relação à pandemia, eu acho que Colbert tem se saído bem. Feira de Santana está na quarta posição no número de casos no estado, então Colbert, assim como o governador Rui Costa, tem administrado bem essas questões da pandemia. Seria normal que Feira fosse a segunda colocada em número de casos positivos, porque tem a segunda maior população no estado, mas graças a Deus, o governador e o prefeito administraram bem.