A Polícia Militar da Bahia está completando 195 anos, quase dois séculos de existência, e só depois de 165 anos os nossos governantes enxergaram que as mulheres eram capazes de entrar nas fileiras da PM. Abriram os concursos e as mulheres fizeram inscrição e entram, por mérito, na corporação.
No passado, muitos dos homens que integravam a PM não faziam nenhum concurso, bastava ser amigo de algum político, ter coragem de portar uma arma de fogo e já eram considerados aptos a ingressar na corporação sem nenhum preparo, físico, psicológico, balístico, etc. Escolaridade era o menos importante, mas as coisas foram mudando pra melhor até que em abril de 1990 nos deparamos com as (PFens) policiais femininas nas ruas de algumas cidades da Bahia. 
Lembro-me da minha adolescência quando vi pela primeira vez, na minha querida Santo Antônio de Jesus, algumas poucas mulheres fardadas, trabalhando no centro da cidade. Algumas pessoas tinham um olhar de desconfiança até por desconhecer. Era algo novo na Bahia, muitos achavam  que as mulheres não eram capazes de usar uma arma de fogo na cintura Essa desconfiança não era só da população menos favorecida, menos esclarecida. Era, também, da alta sociedade machista do século XX.
Esse pensamento machista era quase que unanimidade entre muitos homens que faziam parte da corporação, desde soldados até oficiais. O século XXI chegou. 30 anos completamos com a presença da mulher na Polícia Militar da Bahia, mas, infelizmente, o machismo estrutural continua enraizado. Três décadas já se passaram e não temos uma  coronel, uma comandante de batalhão.
Pergunto: durante este tempo não formamos uma coronel por  falta de tempo, competência ou é o machismo estrutural impregnado no Palácio de Ondina, no quartel dos Aflitos ou na Secretaria de Segurança Pública da Bahia?
Ao longo da minha carreira de profissional de imprensa, já conheci muitos homens que eram subtenentes, capitães, major e foram promovidos e hoje são tenentes-coronéis ou coronel, outros já estão na reserva por merecimento, mas ao longo da minha carreira não vi essa promoção para com as mulheres.
As estatísticas mostram que as mulheres estudam mais, se dedicam mais ao trabalho do que nós, homens. Então por que elas continuam sendo comandadas e não comandantes? Por que continuam ganhando menos?
Acredito que no dia que tivermos mulheres comandando teremos uma polícia mais humana e menos truculenta. Recentemente comentava  no programa Levante a Voz, da Rádio Sociedade News FM, sobre o machismo estrutural na PM-BA. Um tenente-coronel que conheci sendo capitão,  ligou e disse que não existe esse machismo. Porém, em minha visão, contra fatos não há argumentos. Os números mostram. Pesquisem e vejam que durante esses 30 anos pouca mulheres foram promovidas. Neste período quantos homens foram promovidos? Só vou deixar de acreditar que não existe machismo na PM-BA no dia que tivermos uma comandante geral ou uma coronel para os machões baterem continência para a mulherada.
Esse simples texto pode agradar uns poucos e desagradar  um número bem maior, mas eu não estou nem aí. É isso que penso e observo no meu dia a dia, nas minhas conversas com algumas mulheres PMs que afirmam que isso (machismo) ocorre mesmo, mas o machismo estrutural não dá voz  e acaba sufocando muitos sonhos.
Avante, mulheres! Vocês são capazes, vocês são guerreiras, vocês são estudiosas, vocês estão aqui por méritos próprios e não por puxar saco de políticos, de quem está no alto escalão ostentando suas estrelas no peito.
(Texto: Luiz Santos (foto) - Jornalista)