O jornalista Elsimar Pondé é o convidado desta quinta (20) do Protagonista para avaliar o cenário político de sucessão em Feira de Santana. Pondé, âncora do programa Transnotícias, na rádio Transbrasil, destaca o leque de opções colocado no tabuleiro da sucessão municipal. Confira abaixo o artigo completo:

É praticamente unânime o entendimento de que estamos diante da eleição mais imprevisível de Feira de Santana desde a disputa de 1996 que levou José Falcão da Silva e Josué Mello para o segundo turno. Mais de duas décadas depois temos alguns elementos que apontam para direção de uma acirrada briga pelo Paço Maria Quitéria.

O primeiro ponto é a pandemia que pode fazer muita diferença no dia da votação e nas ações de campanha promovidas pelos candidatos e candidatas ao mais alto cargo da administração municipal, considerando todas as restrições que a crise sanitária impõe, principalmente quando o assunto é a promoção de reuniões e eventos de cunho eleitoral.
Também não podemos desconsiderar a avaliação que o eleitorado está fazendo quanto às ações de enfrentamento ao novo coronavírus por parte do prefeito Colbert Filho e do governador Rui Costa, que tem candidatos nesta disputa.
Temos, desde as pessoas que negavam e continuam desconsiderando a dimensão do problema e, portanto, criticam duramente as medidas restritivas, até aqueles e aquelas que entendem que as flexibilizações foram feitas antes da hora e ainda podem render graves consequências.
Outro ponto que pode fazer diferença em novembro é que estamos diante de um cenário com um vasto leque de opções. O mais variado e heterogêneo das últimas décadas e com nomes capazes de romper com a dinâmica das eleições em Feira terminarem no primeiro turno.
Colbert, com o apoio do ex-prefeito José Ronaldo e o peso do desgaste de fazer parte de um grupo que governa Feira desde 2001 - apesar desse discurso não ter alcançado êxito nenhum ao longo das eleições municipais anteriores.

Zé Neto e o desafio de superar um percentual do eleitorado que se mostrou insuficiente para fazer frente a Ronaldo historicamente.

Carlos Geilson ao lado de Targino Machado, dois ex-integrantes do espectro ronaldista, buscando convencer o eleitorado que tem ou teve ligações com o ex-prefeito, mas que não concorda com o nome de Colbert.

Roberto Tourinho, que esteve por um curto período no grupo ronaldista, mas que tem uma trajetória mais ligada ao contraponto e deve ter dificuldades com a estrutura de campanha do seu partido.
Outros nomes são menos cotados do ponto de vista das possibilidades de vitória nas urnas, mas devem colaborar para tornar o jogo eleitoral ainda mais interessante e movimentado.

Neste universo destaco as candidaturas do PSOL, que teve desempenho eleitoral considerável nas duas últimas disputas com Jhonatas Monteiro e que agora apresenta Marcela Prest; Carlos Medeiros do Novo, que pode convencer uma boa parte do eleitorado que procura em Feira um outsider; e Dayane Pimentel, que apesar do rompimento precoce com Jair Bolsonaro, pode abarcar uma fatia desse bolo da direita.
Ainda temos a candidatura do deputado estadual José Arimateia, cujo fiel eleitorado pode garantir uma votação suficiente para embaralhar ainda mais as cartas que estão no tabuleiro eleitoral de Feira de Santana.


Elsimar Pondé é jornalista e âncora do programa Transnotícias, na rádio Transbrasil