Dizem que a política é igual a nuvem: muda a todo instante. Esta máxima se aplica perfeitamente quando se avalia o leque de apoios em torno da candidatura do deputado Zé Neto a prefeito de Feira no segundo turno. Dos políticos mais expressivos que reuniu, antes só ouvia alfinetadas e reclamações. Até do petista Alberto Nery, Zé Neto ouviu poucas e boas. O Protagonista reuniu algumas declarações de seus mais novos aliados. Confira:

Ângelo Almeida: “Apoiar Zé Neto seria carimbar aprovação às suas práticas políticas. Não faremos esse apoio, até porque devo consideração e até mesmo respeito aos meus companheiros e companheiras que em toda a Bahia nos conferiram 45.784 votos para deputado estadual em 2018”. A declaração, em junho de 2019, é do então suplente de deputado estadual Ângelo Almeida (PSB).

“São pessoas, lideranças políticas que não compreendem e me cobram como pode o então líder do nosso governo usar, praticamente, todos os órgãos de governo em Feira de Santana - e são mais de 20 órgãos -, para descarregar 12.500 votos para um desconhecido que nunca havia militado na cidade?  O PSB tem opção melhor a esse apoio. Isso (apoio a Zé Neto) está descartado”.

Roberto Tourinho: O vereador Roberto Tourinho (PV), no uso da tribuna da Casa da Cidadania em 2018, criticou o Governo do Estado pela demora na conclusão da obra do Centro de Convenções de Feira de Santana. Repercutindo entrevista concedida pelo deputado estadual e líder do Governo do Estado, Zé Neto (PT) a uma emissora de rádio da cidade, Tourinho criticou a informação de que o Estado irá concluir apenas a construção do teatro.

“Uma obra iniciada na gestão do ex-governador Paulo Souto, orçada em pouco mais de R$ 32 milhões, está abandonada até hoje. Já se passaram quatro anos da gestão de Paulo Souto, oito anos da gestão de Jaques Wagner e agora estão se encerrando quatro anos da gestão de Rui Costa, e a obra está lá. O líder do governo, Zé Neto, disse que o governo vai fazer o teatro do Centro de Convenções. Já estou cansado desse lenga-lenga do Governo do Estado”, criticou.

Targino Machado: O deputado estadual Targino Machado (DEM), em pronunciamento na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) em 2018, mostrou indignação com a fala do também deputado Zé Neto (PT) ao apoiar a manifestação dos caminhoneiros sobre o aumento do combustível. O parlamentar chamou Zé Neto de “cínico” em defender os caminhoneiros, lembrando que a bancada de governo, em 2014, aprovou o projeto de lei que aumentava a alíquota do ICMS da gasolina para 30%. “Ele mata o cabra e vai pro enterro chorar com a viúva”.

Até mesmo o vereador petista Alberto Nery, que não se reelegeu, disparou críticas ao candidato do partido durante sua passagem pela Câmara Municipal. “O PT de Feira não tem dono. Ele (Zé Neto) tem demonstrado desequilíbrio na busca de agregar pessoas em volta do partido. Foi assim com Marialvo, Sérgio Carneiro, Ângelo Almeida, Beldes Ramos e Pablo Roberto. Destruiu carreira política de vários companheiros de valor. Ele não é meu líder”.

Agora, todos estão do mesmo lado. É como se nada tivesse sido dito ou acontecido. Afinal, política é mesmo como nuvem.