O cenário pressiona diretamente o maior hospital público do interior baiano, que dispõe de quase 370 leitos, sendo 68 de UTI, e compromete a regulação de pacientes não apenas de Feira de Santana, mas também de mais de 120 municípios pactuados da região Leste da Bahia.
A mobilização integra a campanha Maio Amarelo e reuniu representantes do Ministério Público da Bahia (MP-BA), forças de segurança, órgãos de trânsito e entidades parceiras para discutir medidas urgentes de enfrentamento à escalada da violência nas ruas e rodovias.
Além das vidas perdidas e das sequelas permanentes, os acidentes impõem um alto custo financeiro ao sistema público de saúde.
Segundo dados apresentados pelo HGCA, pacientes em estado grave internados em leitos de UTI chegam a gerar um custo médio de R$ 5 mil por dia. Já os pacientes submetidos a cirurgias e internados em enfermarias demandam aproximadamente R$ 2,5 mil diários.
O peso dessa conta recai diretamente sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto o hospital enfrenta sobrecarga crescente causada, em grande parte, por ocorrências relacionadas à imprudência no trânsito.
Participam da iniciativa a Câmara da Mulher Empresária (CME), a Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), o Comando de Policiamento da Região Leste (CPRL-PMBA) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Presente no encontro, o promotor de Justiça Dr. Audo Rodrigues afirmou que o momento exige mais rigor na aplicação da lei diante da gravidade dos indicadores.
Segundo ele, acidentes com mortes ou feridos geram inquéritos policiais analisados pelas promotorias especializadas, que avaliam a responsabilização criminal dos envolvidos.
“O promotor competente vai avaliar se aquela conduta é culposa ou dolosa para, a partir daí, tomar a providência criminal adequada”, explicou.
O representante do Ministério Público destacou ainda que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê punições severas para crimes como embriaguez ao volante, racha, homicídio no trânsito e direção sem habilitação com risco à coletividade.
Diante do impacto dos acidentes no sistema de saúde, o promotor enviou um recado direto aos condutores:
“A população precisa entender, os motociclistas precisam entender que a lei precisa ser cumprida. Passou-se um pouco mais daquele momento de educação de trânsito para uma fase repressiva”, afirmou.
Para Audo Rodrigues, o volume de recursos públicos consumidos por acidentes decorrentes de imprudência já atingiu um patamar inaceitável.
“Não se justifica a quantidade de motoristas e motociclistas infratores aqui em Feira de Santana”, criticou.
Como encaminhamento prático da reunião, os órgãos decidiram intensificar a fiscalização em Feira de Santana, adotando um modelo semelhante ao utilizado durante a Micareta de Feira.
Com a proximidade dos festejos juninos, a estratégia será ampliada para grandes eventos e períodos de maior circulação. A promessa das forças de segurança é de tolerância zero.
Polícia Militar, PRF e SMT devem realizar operações integradas da Lei Seca, blitzes de grande porte e ações ostensivas em avenidas urbanas e rodovias, com o objetivo de retirar condutores alcoolizados das ruas, reduzir acidentes e aliviar a pressão sobre os hospitais da região.
O recado das autoridades é claro: diante do avanço da violência no trânsito, a fiscalização deverá ganhar força para tentar conter um problema que já ocupa a maior parte dos leitos do principal hospital público do interior da Bahia.
(Com informações do blog Central de Polícia FSA)