A edição especial da coluna Cordel News, assinada pelo jornalista Ordachson Gonçalves, traz para os leitores do Protagonista um cordel literário de autoria do jornalista Zadir Marques Porto em homenagem ao radialista Itajay Pedra Branca, falecido no último dia 8 de janeiro. A seguir a íntegra do folheto que pode ser encontrado na banca de Jurivaldo Alves, no Mercado de Arte Popular
A DESPEDIDA DO GRANDE NARRADOR
Literatura de Cordel Autor: Zadir Marques Porto
Sua voz era vibrante
Transmitia emoção
No microfone viveu
Com amor no coração
Informando dia a dia
Respeitando o cidadão
Começou muito menino
Na saudosa Cultura
Tinha talvez oito anos
E plena desenvoltura
Cantando e apresentando
Com pequena estatura
Era ‘Brasil de Amanhã’
Domingo no auditório
À frente Alcina Dantas
Que fazia o relatório
Professora idealista
Cujo nome foi notório
O menino Itajay
A todos emocionou
E com desembaraço
Ele logo apresentou
Com Dourival Oliveira
E mais famoso ficou
No Domingo Matinal
Que revelou como cantor
O saudoso David Silva
E também outro valor
Antônio Moreira JR
Cantor e compositor
Era forte o programa
Que movimentava Feira
E quem passou por ali
Foi o Oydema Ferreira
Consagrado colunista
Uma voz bem brasileira
Depois na Sociedade
Muito mais alto voou
A Notícia e o Esporte
Sua voz longe mandou
No Brasil de ponta a ponta
Do Velho Mundo falou
Fez oito copas do mundo
E da Itália reportou
Quando João Paulo II
O amado Papa escapou
De terrível atentado
E primeiro ele informou
Na Sociedade de Feira
Foi expressão nacional
Na Notícia no Esporte
E ainda mais legal
Ao virar Pirunguinha
Do Ronda Policial
Programa que se tornou
Para sempre imortal
Assim como seu criador
Um artista especial
Chico Caipira o Pirunga
Formando dupla ideal
Tudo passa é verdade
Mas o que é bom permanece
E do Ronda Policial
O ouvinte não esquece
Pirunga e Pirunguinha
Pra vocês faço uma prece
No Grande Jornal Falado
Nos votos da eleição
E no Sete de Setembro
Falando com emoção
Ou gritando mais um gol
Agitava o coração
Cultura e Sociedade
Subaé e Radio Povo
O tempo passa ligeiro
De tristeza não me movo
Que bom pudesse a vida
Repetir tudo de novo
Acredito em destino
Que já vem desenhado
E ninguém pode escapar
Daquilo que é traçado
O menino Itajay
Foi um predestinado
Tinha que ser como o pai
Que também foi da Cultura
Ângelo Pedra Branca
Homem de forte estrutura
Ali na Hora do Ângelus
Tinha mensagem segura
Foi da família também
Com bela voz que marcou
Itaracy Pedra Branca
Que tão bem comunicou
Advogado e político
Outro nome que ficou
Jaci o seu grande amor
Premiou a sua vida
Com dois filhos de valor
Que choram a sua partida
Itajay Jr e Andrews
Saudosos com sua ida
No microfone da Povo
Concluiu sua jornada
Saudades ele deixou
Mas sua voz está gravada
Graças à tecnologia
Assim pode ser lembrada
Gostava de futebol
De transmitir e jogar
Do futsal foi arbitro
Chegando a se destacar
Era exato na regra
Nada deixando passar
Nos babas muita conversa
Estava sempre a brincar
Dizia ‘sou Rivelino’
Um ‘elástico’ vou lhe dar
E batia com a canhota
Para o craque imitar
Narrou incontáveis jogos
E gols que nunca contou
Devem ter sido centenas
Pelos campos onde andou
Mas cada gol do Fluminense
No seu coração ficou
Sempre foi um tricolor
Capaz até de brigar
Se alguém proposital
Do Touro fosse falar
Para desfazer do time
E assim lhe machucar
Ao se despedir da vida
No dia oito de janeiro
Muita gente acompanhou
Seu trajeto derradeiro
Saudosos muitos chorando
Sentimento verdadeiro
O grande narrador partiu
Consigo levou então
O manto que tanto amava
Como amuleto ou cartão
A camisa do Fluminense
O seu TOURO DO SERTÃO!