O nome do pré-candidato a deputado estadual Thiago Gileno Sales de Oliveira volta ao centro de uma nova controvérsia política e jurídica. Documentos do Ministério Público Federal (MPF) detalham uma ação penal que acusa o ex-prefeito de Ponto Novo (BA) de má gestão de recursos públicos da saúde, com supostas irregularidades em processos de contratação realizados entre 2013 e 2016.
Além de Gileno, a ação também inclui Fabiane Azevedo Maia de Oliveira, então secretária municipal de Saúde e atualmente sua esposa. Segundo o MPF, os fatos investigados teriam ocorrido em dois períodos distintos, configurando continuidade delitiva.
De acordo com a denúncia, em 2013 teriam ocorrido dois crimes relacionados à inexigibilidade indevida de licitação, enquanto em 2016 o MPF aponta a prática de cinco crimes da mesma natureza. As acusações se baseiam no artigo 89 da Lei nº 8.666/93, combinado com o artigo 71 do Código Penal, além de entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça.
Um dos pontos centrais da acusação é a alegação de que licitações foram dispensadas de forma irregular com o objetivo de beneficiar a empresa Serviços Médicos Acácia, da qual Thiago Gileno era sócio-administrador à época. Conforme a inicial acusatória, Fabiane Azevedo, no exercício do cargo de secretária de Saúde, teria autorizado os procedimentos IL nº 0092/2013 e nº 0093/2013 sem o cumprimento dos requisitos legais, resultando em prejuízo comprovado aos cofres públicos.
Mesmo com o avanço da ação e a apresentação de novos elementos pelo MPF, a defesa de Thiago Gileno segue tentando anular parte da acusação, alegando falhas e irregularidades na coleta das provas. O Ministério Público, por sua vez, sustenta que o conjunto probatório é suficiente para o prosseguimento da ação penal, que continua em tramitação na Justiça Federal.
Enquanto responde às acusações, Gileno mantém intensa atuação política na região, com discursos críticos a administrações municipais vizinhas, especialmente em Senhor do Bonfim, município considerado estratégico no xadrez eleitoral do território.
Thiago Gileno foi prefeito de Ponto Novo pelo PSD entre 2021 e 2024, tendo renunciado ao cargo em abril de 2024. À época, a saída abriu caminho para que sua esposa disputasse a prefeitura, além de viabilizar a ascensão do então presidente da Câmara Municipal ao comando do Executivo até o fim do mandato.
Em setembro de 2023, a Polícia Federal já havia apresentado laudo apontando supostos desvios e aplicação irregular de recursos públicos envolvendo Gileno, sua esposa e uma empresa, com prejuízo estimado em cerca de R$ 2 milhões. O MPF, inclusive, havia ajuizado ação de improbidade administrativa sobre os mesmos fatos. O ex-prefeito sempre negou as acusações, afirmando que as irregularidades seriam referentes a gestões anteriores e classificando os processos como fruto de perseguição política.
Em janeiro de 2026, Thiago Gileno confirmou oficialmente sua saída do PSD, ampliando as especulações sobre seus próximos passos no cenário eleitoral baiano.
(Com informações do site Rota da Informação)