O cenário político de Feira de Santana ganhou um novo capítulo de tensão. O diretório municipal do PL, presidido por Raimundo Júnior, ingressou com uma ação na Justiça Eleitoral acusando o PSOL de fraude na cota de gênero — prática que ocorre quando partidos registram candidaturas femininas apenas para cumprir a exigência legal de 30% de mulheres, sem oferecer estrutura real ou incentivar a participação efetiva delas no pleito. A denúncia foi revelada pelo Conectado News, do jornalista Luiz Santos.
Entre os casos apontados na ação, um episódio chama atenção: o da ex-candidata Jaqueline Riquelme, declarada inelegível após a Justiça Eleitoral entender que houve fraude em sua candidatura. Segundo o processo, Jaqueline apresentou baixa votação, não realizou atos de campanha e chegou a pedir votos, nas redes sociais, para o então vereador e candidato à reeleição Jhonatas Monteiro (PSOL) — fatos que, segundo a acusação, reforçariam o caráter supostamente “fictício” de sua candidatura.
E o caso não parou por aí.
Após recorrer da decisão, Jaqueline apresentou uma peça assinada por sua defesa jurídica que lança luz sobre supostas irregularidades internas praticadas pelo PSOL na eleição. Segundo ela:
Dos R$ 95.087,50 destinados à sua campanha pelo fundo eleitoral, apenas R$ 8.724,00 teriam sido utilizados;
O restante dos recursos teria sido redistribuído irregularmente para candidaturas masculinas sem a sua autorização;
Diante de “problemas nas contas” de outros candidatos, o partido teria solicitado seus dados bancários para movimentação de valores destinados a terceiros — prática que, segundo ela, também envolveu outras mulheres.
As denúncias vão além da disputa eleitoral. Jaqueline afirma que, após o pleito, foi surpreendida com uma dívida de cerca de R$ 40 mil, resultante da prestação de contas feita pelo partido. Ainda segundo a ex-candidata, o PSOL se comprometeu a pagar o valor parcelado ao longo de cinco anos — proposta inviável para ela, que é beneficiária do INSS e afirma estar sendo prejudicada pela situação.
Agora, a Justiça Eleitoral deverá analisar os fatos e determinar se houve, de fato, fraude estrutural na cota de gênero por parte do PSOL. Dependendo do resultado, a legenda poderá enfrentar desde multas até a cassação de mandatos eventualmente afetados.
O Conectado News afirmou que aguarda um posicionamento formal do partido sobre as denúncias — que, até o momento, não foi apresentado.
(Informações do Conectado News)