O cenário político em Feira de Santana ganhou um novo capítulo — e daqueles que movimentam os bastidores. O Partido dos Trabalhadores (PT) local reagiu com surpresa ao interesse do deputado estadual licenciado e atual secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Ângelo Almeida, em retornar à legenda.
Atualmente filiado ao PSB, Ângelo já teve passagem pelo PT e agora sinaliza uma possível reaproximação. O movimento, no entanto, não caiu bem entre lideranças petistas do município.
Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (3), a Executiva Municipal do PT de Feira de Santana deixou claro que não recebeu a intenção com entusiasmo. Pelo contrário: o tom foi de resistência.
Segundo o documento, o partido “recebe com surpresa o pedido de filiação de Ângelo Almeida”, destacando que o deputado “já compôs nossos quadros e buscou outros caminhos”, decisão que, à época, foi respeitada pela sigla.
A direção municipal também reforça que o momento exige fortalecimento interno e alinhamento com pautas históricas da legenda. Entre elas, a defesa do fim da escala 6x1 e a ampliação dos direitos dos trabalhadores.
Outro ponto que pesou foi o timing político. A Executiva critica a possibilidade de filiação “no apagar das luzes”, especialmente por se tratar de uma liderança com mandato, sem que haja debate prévio com as bases e representações locais do partido.
Nos bastidores, a leitura é de que o retorno de Ângelo poderia impactar diretamente a construção da chapa petista para as próximas eleições, gerando desconforto entre pré-candidatos que já atuam no fortalecimento da legenda no município.
A nota é ainda mais direta ao afirmar que a maioria dos membros da Executiva Municipal se posiciona contra a filiação do parlamentar e solicita que a Executiva Estadual acompanhe esse entendimento.
“O nosso compromisso é com a construção de uma chapa petista, com aqueles companheiros e companheiras que constroem cotidianamente o partido”, destaca o texto.
O episódio evidencia que, apesar de possíveis articulações em nível estadual, o jogo político em Feira de Santana passa, necessariamente, pelo crivo das lideranças locais — e, ao que tudo indica, o caminho de volta de Ângelo Almeida ao PT não será simples.